1. Introdução: A
origem do turismo é tão antiga quanto a própria história da humanidade, mas
foi somente no século XX,
(vinte),
em meados dos anos 70,
(setenta),
que o turismo se projetou como uma das mais importantes indústrias do mundo
moderno. O ecoturismo,
particularmente, deixou de ser visto como “uma atividade alternativa de
aficionados por meio ambiente”, Hoje o ecoturismo é importante para o desenvolvimento sustentável dos municípios brasileiros e representa 5%, (cinco por cento), do turismo mundial, podendo alcançar 10%, (dez por cento), ainda nessa década, (OMT, 1999). Segundo a OMT, (1999), enquanto o turismo convencional registra um crescimento de 7,5%, (sete e meio por cento), ao ano, o ecoturismo ultrapassa 20%, (vinte por cento). No
Brasil, O Governo Federal vem criando mecanismos para fomentar o ecoturismo no Brasil através do Instituto Brasileiro de Turismo - EMBRATUR, que criou mecanismos como: Programa de Desenvolvimento do Turismo – PRODETUR – visando investir em infra-estrutura turística, de forma planejada e sistêmica; Programa de Desenvolvimento Ecoturismo -PROECOTUR, que prevê o repasse de recursos para os Estados que compõem a Amazônia Legal; Fundo Geral do Turismo – FUNGETUR – e Programa Nacional de Municipalização do Turismo – PNMT. O governo do Estado de Mato Grosso criou a Secretaria de Desenvolvimento do Turismo – SEDTUR com o objetivo bem claro, expresso em seu plano de metas, versão 1999-2001, de desenvolver ações para viabilizar investimentos, formar mão-de-obra qualificada e promover o crescimento turístico. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente – IBAMA, propõe a abertura dos Parques Nacionais administrados por ele ao ecoturismo, através do “Programa de uso Público e Ecoturismo em Parques Nacionais – Oportunidades de Negócios”, que visa parceria com o setor privado da sociedade, com o objetivo de melhorar a infra-estrutura de atendimento ao turismo e obter melhor aproveitamento do potencial turístico e conservação dos Parques Nacionais, (IBAMA, 2001). Em abril de 1989, foi criado o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, “com o objetivo de proteger e preservar amostras dos ecossistemas ali existentes, assegurando a preservação de seus recursos naturais, proporcionando oportunidades controladas para uso pelo público, educação, pesquisa científica e também contribuindo para preservação de sítios arqueológicos existentes na área”, (Decreto Federal n. º 97.656, art. 1º). O Parque, localizado no Estado de Mato Grosso, no município da Chapada dos Guimarães, apresenta-se estrategicamente situado para o desenvolvimento de equipamentos de lazer e ecoturismo, devido às características de seu ecossistema: o cerrado. Este ecossistema possui beleza natural singular, riquezas da flora e da fauna, espécies raras migratórias e algumas espécies ameaçadas de extinção. O parque aquático conta com importantes nascentes do pantanal mato-grossense, formada pelos rios que compõem as bacias do Alto Paraguai e Amazônica. O relevo da região apresenta formações rochosas, com altitudes médias de trezentos metros, bastante irregulares e a variabilidade microclimática propicia características particulares à região.Em seus paredões de rochas basalto – areníticas, oriundas do período paleonesozóico e pré-cambriano, encontra-se grande número de sítios arqueológicos, com pinturas e gravações rupestres de valor histórico e cultural. Além disso, algumas construções existentes na cidade da Chapada dos Guimarães contam parte da história do Estado. As
características acima descritas tornam o município da Chapada dos Guimarães
um dos lugares O fomento do ecoturismo no Parque Nacional de Chapada dos Guimarães poderá trazer vários benefícios ao parque, tais como: a.
A b.
D c.
P d.
U e.
F O
objetivo deste estudo é identificar, sob a ótica das autoridades municipais,
das autoridades estaduais, da sociedade civil organizada e dos empresários, os
fatores que dificultam o desenvolvimento do turismo no Parque Nacional da
Chapada dos Guimarães. 2. Revisão Teórica Conforme dados da Organização Mundial de Turismo, o turismo, movimenta mais de US$ 3,5 trilhões, (três trilhões e meio de dólares), anualmente, além de ser considerado por vários órgãos de pesquisa como um dos ramos de atividade comercial que mais cresce no mundo. Calcula-se que mais de 180, (cento e oitenta), milhões de pessoas vivam direta ou indiretamente desta atividade, (OMT, 2001). Devido
a esse crescimento, o turismo vem gerando interesses distintos e, por isto,
passou a ser segmentado em diferentes áreas de atuação. Surgiram assim o
turismo cultural, o turismo religioso, o turismo esportivo, o turismo infantil,
o turismo da terceira idade, o turismo gastronômico, o turismo rural e o
turismo ecológico ou ecoturismo, que vem se desenvolvendo muito nos últimos
anos, principalmente em países como o Brasil, que possuem diversidade de
recursos naturais. O Brasil, em especial, possui ainda grandes áreas naturais e
uma importante característica: é o país de maior biodiversidade do globo, o
que o torna um dos maiores potenciais para esta nova forma de turismo,
O ecoturismo é caracterizado neste trabalho como um segmento da atividade turística que utiliza “forma sustentável o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações”, (BNDES,2001). A teoria que fundamenta este estudo baseia-se na conceituação ampla do turismo “... como a ciência, a arte e a atividade de atrair, transportar e alojar visitantes, a fim de satisfazer suas necessidades e seus desejos”, (McIntosh Gupta, 1990). Compondo o produto turístico², temos uma gama de serviços em que – como ocorre na maior partes das atividades pertencentes ao setor terciário – a produção e o consumo são processos simultâneos e “resultados de uma série de combinações de serviços efetuados pelas empresas especializadas no atendimento das necessidades dos viajantes desde que saem até que regressam as suas casas”, (Boullon, 1995). 2.
O produto turístico é o conjunto de bens e serviços que se oferecem ao
mercado para um conforto
material e espiritual do turista,
( Porém, não se deve confundir matéria prima com produto turístico. O Parque Nacional da Chapada dos Guimarães é matéria prima, rica e diversificada, mas é necessário transformá-lo em “um produto que tenha preço justo, qualidade de serviços, criatividade, identidade e principalmente diferenciais agregados”, (Carvalho, 2000). Outra questão relevante a ser considerada no desenvolvimento do turismo de uma região é a elaboração de um plano de marketing, ou seja, o “processo de planejamento e execução desde a concepção, apreçamento, promoção e distribuição de idéias, mercadorias e serviços para criar trocas que satisfaçam os objetivos individuais e organizacionais”, (Cobra, 1992.). Neste
processo o marketing considera quatro conceitos básicos: Ø
Produto - é a oferta de
objetos, serviços, atendimento, bens, sempre no sentido de satisfazer os
clientes, no setor turístico especificamente produto é a “materialização
de uma solução mercadológica para atender necessidades e desejos de turistas
ou integrantes do mercado turístico” Ø
Preço - O preço em serviços
turísticos esta diretamente ligado ao tipo de clientela que se deseja atingir,
ou seja “é a ferramenta importante também para definir o nível de status
desejado para o serviço a ser vendido” Ø
Ponto - ou praça e
corresponde á disponibilização, distribuição ou acesso do turista ás
estruturas ofertadas, Ø
Promoção - é a atividade de
comunicação dirigida diretamente ao potencial interessado, e normalmente
associado á atividade de vendas, com o principal objetivo de “aproximar o
produto/serviço o máximo possível do cliente,
O marketing é uma técnica de gestão, não de comunicação como muitos pensam. Empresas orientadas para o marketing entendem que seu objetivo é descobrir as necessidades e desejos das pessoas e satisfazê-los com maior eficiência que seus concorrentes, (Cobra, 1992). Avaliando o produto turístico com base na teoria geral dos sistemas segundo Petrocchi, (1998), é possível classificá-lo como um sistema aberto, ou seja, interage com o meio externo de forma dinâmica, recebe constantes entradas – material, energia e informações. Os subsistemas, processos internos, interagem entre seus componentes e influenciam o desempenho do todo. Os principais subsistemas do turismo são “hospedagem, meio ambiente, gestão governamental, equipamentos, formação profissional, promoção e informações, viário, transporte e comunicação”, (Petrocchi, 1998). Para
que esta interação ocorra de forma contínua o processo de transformação, Para que o turismo seja sustentável, sua expansão deve ocorrer até o limite da capacidade territorial de receber visitantes. A preservação do meio ambiente depende dos limites impostos ao crescimento do turismo, tanto do ponto de vista físico como social. É
de competência do gestor público do turismo, preocupar-se com a expansão da
urbanização, com o ordenamento do crescimento, com a infra-estrutura, com a
segurança pública e com os serviços locais, além de outros fatores que
influenciem diretamente na qualidade de vida da comunidade local e do turista em
estadia Este
gestor público deverá definir a política do turismo, com base em um
planejamento macro envolvendo os diversos segmentos da sociedade organizada
local, desmembrados em projetos e programas que poderão ser reprogramados
estrategicamente visando garantir a sustentabilidade turística e do meio
ambiente em que está inserido,
Neste
processo de definição da política do turismo o envolvimento da sociedade
organizada é de fundamental importância. Por sociedade organizada entende-se,
“o agrupamento de indivíduos entre os quais se estabelecem relações econômicas,
políticas e culturais”, 3. Metodologia Este
trabalho é fundamentado em uma pesquisa exploratória realizada no contexto
histórico-social no qual se desenvolve o turismo A pesquisa qualitativa/exploratória foi realizada com o objetivo de observar, registrar e sistematizar os dados coletados, possibilitando, desta forma, uma aproximação maior da realidade local e uma investigação das questões relacionadas ao assunto. Nesta pesquisa obteve-se os “dados descritos sobre as pessoas, lugares e processos interativos através do contato direto do pesquisador com a situação estudada”, neste caso, alguns agentes fomentadores do turismo no Município da Chapada dos Guimarães, pois se procurou “compreender os fenômenos segundo as perspectivas dos sujeitos, ou seja, dos participantes da situação do estudo”, (Godoy, 1995). A coleta dos dados secundários ocorreu em fontes bibliográficas e documentais, como: livros, artigos, estudos teóricos, revistas científicas e publicações governamentais do IBAMA, BNDES, SEDTUR, EMBRATUR e Ministério do Meio Ambiente. A
coleta dos dados primários foi efetuada através de entrevistas
semi-estruturadas, com perguntas abertas e registradas em gravador, com o Secretário
do Turismo do Estado do Mato Grosso, Ezequiel José Roberto; com o Presidente da
Associação dos Guias de Chapada dos Guimarães e membro do Conselho Municipal
do Turismo, Sr.
Ailton Assis; Srª Sonia Belfort Matos, proprietária da Agência de Turismo “Ecoturismo”;
Sr.
José Carlos Marinho, proprietário da Atmã Turismo; Sr.
Enimar Ataíde, guia turístico e estudante de pós-graduação em turismo; e Sr.
Claudinei Daleffe, Presidente da Associação Comercial e membro do Conselho
Municipal do Turismo e proprietário do Restaurante “O Mestrinho”.
O critério de escolha dos entrevistados foi a relevância de sua atuação no
processo do desenvolvimento turístico local. A entrevista teve como objetivo levantar informações sobre o turismo local junto às autoridades governamentais e empresários, utilizando a própria fala dos entrevistados como suporte para interpretação das pesquisadoras. A discussão dos resultados foi efetuada tendo como referencial teórico: livros, teses, monografias, artigos e revistas científicas apresentadas no item referências bibliográficas. O Prefeito Municipal e Secretário de Turismo de Chapada dos Guimarães, atores importantes no processo de desenvolvimento turístico deste Município, não foram entrevistados, pois o Município encontrava-se em decisão judicial para definição do Prefeito realmente eleito e conseqüentemente seu secretariado. Este fato impediu que este artigo registrasse a ótica do poder público municipal. 4. Discussão O ano 2001 está sendo muito importante para a indústria do turismo no Mato Grosso. O governo vê o turismo como uma atividade econômica estratégica e prioritária, que pode ser a solução não só para um problema grave de oportunidade de empregos para os entrantes no mercado de trabalho, mas também para a necessidade de geração de renda. Foi estruturado recentemente pela Secretaria de Desenvolvimento do Turismo um plano agressivo de desenvolvimento e promoção, que conta com o apoio do Banco Mundial, do Banco Internacional de Desenvolvimento e com o patrocínio do Governo Federal. O Banco Mundial (BIRD), através da PRODEAGRO, está financiando o zoneamento econômico de todo o Estado, numa operação de US$ 200 (duzentos) milhões de dólares. O
Banco Interamericano de Desenvolvimento,
Esses
recursos estão destinados à O
Estado também demonstrou a priorização do turismo quando implementou o
Imposto sobre circulação de mercadorias – ICMS O secretário de Desenvolvimento do Turismo do Mato Grosso, Sr. Ezequiel José Roberto, participou de eventos nacionais e internacionais, como: Feira de Berlim, Feira de Hannover, Encontro Nacional da Associação Brasileira de Agentes de viagem – ABAV Encontro Nacional de Municipalização do Turismo, com o objetivo principal de divulgar produtos no Trade e desenvolver relacionamentos com agentes mundiais, nacionais e regionais. A
Secretaria de Desenvolvimento do Turismo do Mato Grosso utiliza como ferramenta
promocional de apoio à campanha de marketing um kit
que é composto por: folder, cd-rom, fita de vídeo em inglês e português,
revistas, folhetos e ainda conta com uma home-page sempre atualizada, que é um
instrumento que permite o acesso ao produto turístico em qualquer local em que
se encontre o possível turista. Para o secretário, “a hora do turismo em Mato Grosso é agora, o Estado está fazendo sua parte, o município da Chapada precisa criar a consciência de sua vocação turística e para isto é preciso ter vontade política”. Neste
aspecto, a indefinição política em que o município da Chapada se encontra
atualmente, tem dificultado a definição estratégica pelo turismo, pois toda
atividade econômica exige estratégia, planejamento e diretrizes,
(Petrocchi, 1998). O
Programa Nacional de Municipalização do Turismo é um programa desenvolvido e
coordenado pela EMBRATUR, mediante a adoção da metodologia da Organização
Mundial do Turismo – OMT (2001). Adaptado
à realidade brasileira, este programa tem como propósito implementar um novo
modelo de gestão da atividade turística, simplificado e uniformizado para os
Estados e Municípios, de maneira integrada, buscando maior eficiência e eficácia
na administração da atividade turística de forma participativa. A participação de Chapada dos Guimarães no PNMT encontra-se na terceira fase, que é um processo que visa a capacitação dos Agentes Multiplicadores Nacionais, Estaduais e dos Monitores Municipais, como Facilitadores na Metodologia Simplificada de Elaboração da Estratégia Municipal de Desenvolvimento Sustentável do Turismo. Este programa garantiu que a sociedade civil superasse a indefinição política em que o Município da Chapada dos Guimarães se encontrava, e elaborasse um Plano de Desenvolvimento Turístico Municipal em maio do presente ano. O Planejamento Estratégico Municipal se deu de forma participativa envolvendo o Estado, representado pela SEDTUR e Sebrae/MT; o município representado pelo então Secretário Municipal de Turismo; os membros do Conselho Municipal de Turismo e da Associação Comercial; os empresários, a sociedade organizada e a comunidade em geral. As principais deficiências do turismo na Chapada dos Guimarães observadas pela equipe foram: · condutor do processo pouco ativo; · baixa qualificação de mão-de-obra; · comunidade local com baixa consciência turística; · · ausência de Marketing Estratégico na divulgação da Chapada dos Guimarães; · uso irracional do meio ambiente; · infra-estrutura e serviços básicos deficientes (água, esgoto e energia elétrica); · indefinição
perfil do turista ·
ausência de plano urbanístico; ·
identidade cultural não valorizada. Nas
entrevistas efetuadas foi confirmada pela opinião dos entrevistados Condutor do processo Os entrevistados foram unânimes em admitir que o poder municipal, principal condutor deste processo, não havia reconhecido no turismo “uma alternativa poderosa do desenvolvimento sustentável”, (Petrocchi, 1998). Não havia consciência, até então, de que a vocação natural da região é o turismo e que com o crescimento turístico há aumento da renda per capita, sendo necessário para tal o mínimo de gestão e competência administrativa. Qualificação da mão-de-obra Os entrevistados têm observado a baixa qualificação da mão-de-obra local, porém ressaltam o crescente interesse da comunidade em participar dos cursos de formação, o que não ocorria até pouco tempo atrás em conseqüência da baixa consciência da vocação turística municipal. As belezas naturais do município não são suficientes para garantir o desenvolvimento turístico local, sendo necessário cada vez mais saber receber os visitantes com profissionalismo, competência, qualidade e diferenciais, “já não é suficiente que o turista retorne a sua casa apenas com a lembrança de que visitou uma terra de belezas e riquezas admiráveis”, (Carvalho, 2000). Consciência turística A
sociedade civil está organizada através do Conselho Municipal do Turismo que
deverá desenvolver estratégias já previstas no Planejamento Turístico
Municipal, visando envolver e sensibilizar a comunidade local para a importância
do turismo através de Percebe-se
que os segmentos envolvidos com turismo estão se organizando estrategicamente,
e “para sua evolução, torna-se necessário o envolvimento do poder público,
dos empresários, produtores rurais, estudantes e toda população”,
Marketing Analisando o composto de marketing - produto, preço, ponto e promoção do Parque Nacional de Chapada de Guimarães, a percepção dos entrevistados quanto ao produto é clara: é fácil de vender, uma vez que desfruta de uma boa imagem para convencer o consumidor e conquistar sua preferência. A distribuição envolve parcerias entre agências, vendas pessoais, “telemarketing” e “home-page” com o objetivo de permitir ao consumidor um acesso rápido e fácil aos serviços. Alguns entrevistados já possuem estes canais de distribuição. Outros têm se utilizado de forma equivocada de meios de comunicação local, que não atingem o público alvo definido por estes entrevistados, que é o turista externo. A SEDTUR /MT tem divulgado o Estado de forma geral, sua campanha se baseia na chamada: “Mato Grosso, quatro estações, quatro regiões, mil emoções, Pantanal, Amazônia, Cerrado, Araguaia”. Já o mote da campanha direcionada a Chapada não tem causado o efeito esperado, poucos associam o cerrado às belezas do Parque Nacional. O
preço não foi analisado porque o objetivo da pesquisa exploratória feita com
as autoridades municipais e estaduais, empresários e sociedade organizada foi
identificar os problemas de planejamento que impedem a Chapada dos Guimarães de
alavancar seu potencial turístico. Uso
racional do meio-ambiente Para que se possa ter um desenvolvimento sustentável do turismo é de suma importância que se faça o uso racional do meio-ambiente, encontrando o equilíbrio entre interesses econômicos e o desenvolvimento de atividades que o protejam, “principalmente porque o seu controle depende de critérios e valores subjetivos, além de uma política ambiental adequada”, (Ruschmann, 1999). O
Parque Nacional de Chapada dos Guimarães não tem um desenvolvimento controlado
em harmonia com os aspectos naturais e sócio-culturais.
Para que se garanta sua originalidade e conseqüente atratividade para
gerações futuras, os entrevistados percebem a necessidade de desenvolver um
plano de manejo e utilização do solo, sempre em parceria com os órgãos
ambientalistas. Infra-estrutura O Município de Chapada dos Guimarães não possui uma infra-estrutura suficiente para o desenvolvimento do turismo, como rede de esgoto, abastecimento contínuo de água, fornecimento contínuo de energia elétrica e nem locais apropriados para eventos. Fomentar o crescimento das atividades turísticas neste momento pode torná-las predatória devido à falta de planejamento da infra-estrutura que possui, hoje, Chapada dos Guimarães na percepção dos entrevistados. É necessária a reestruturação dos serviços básicos urbanos, para comportar o incremento turístico e garantir a qualidade de vida da comunidade local. Perfil do Turista Outro
óbice detectado pelos entrevistados é o perfil do turista
que vem à Chapada. Por sua proximidade com Cuiabá , Plano Urbanístico A cidade da Chapada de Guimarães não tem um Plano Urbanístico definido, outro ponto identificado pela sociedade organizada e que merece ações imediatas e concretas. Este ponto já está sendo discutido e estão sendo captados recursos para melhorar o design das unidades habitacionais do centro da cidade, executar calçamento decorativo e jardinagem em geral. Identidade Cultural Para que Chapada dos Guimarães seja um atrativo também pela sua cultura, o local não deve perder sua originalidade. A preservação e o fortalecimento dos seus costumes, manifestações, artesanato, folclore e gastronomia, precisam ser evidenciados, segundo a opinião dos entrevistados. “A condicionante social deverá fazer com que o turismo constitua incentivo à criatividade, às artes e às manifestações sociais, artesanais ou folclóricas e que seja crescente o número de pessoas atingidas”, (Beni, 1999). Diversidade
cultural Mato Grosso de uma forma geral apresenta uma característica própria, um elevado índice de imigração populacional de outros Estados. Podemos encontrar mineiros, paulistas, nordestinos, goianos, gaúchos, paranaenses etc, sendo que esta característica se estende à Chapada e lhe confere uma diversidade cultural peculiar, rica em mesclas étnicas, folclóricas e sociais. A diversidade cultural que poderia ser um fator positivo ao desenvolvimento do turismo na Chapada dos Guimarães é visto pela comunidade tradicional do município como um fator de risco aos usos e costumes locais, ao poderio político das famílias centenárias. Este sentimento compartilhado pela comunidade tradicional é responsável pela união de grupos que atravancam o desenvolvimento turístico e tentam manter o status quo. Esta resistência à mudança é uma das barreiras que os agentes fomentadores do turismo têm encontrado para fazê-lo acontecer. Os
entrevistados percebem a necessidade de segmentar o mercado turístico,
determinar o público alvo e assim maximizar os esforços de marketing,
“quanto mais as características do mercado desejado são conhecidas, maior a
eficiência das técnicas aplicadas, dentre elas a promoção, publicidade, relações
públicas e muitas outras”,
(Lage, 2000). Mas, para que isto aconteça, é necessário que a sociedade
organizada faça um estudo da demanda e da oferta em que serão definidas as
partes a serem segmentadas, pois não se pode atrair todos os consumidores ao
mesmo tempo. 5. Conclusão O
setor turístico no
Brasil ganha maturidade, o que se manifesta através do profissionalismo com que
este setor vem sendo conduzido pelos atores responsáveis por ele. Hoje
não basta saber que existem belezas naturais, grandes diversidade biológica e
riqueza histórico-cultural.
Na
pesquisa pôde-se observar a forte articulação da sociedade organizada para
que Chapada dos Guimarães também se inclua como um pólo de destaque no
turismo nacional e supere os principais difilcultadores levantados através
desta pesquisa: A
indefinição política não permite que o poder público municipal , que apesar
de reconhecer a vocação turística do local, estabeleça estratégias e
prioridades que alavanquem o turismo no Parque Nacional da Chapada. A sociedade
organizada considera que a atividade turística deve ser praticada com organização,
objetivos e estratégias bem definidas. A preocupação verdadeira com a
infra-estrutura, de forma a se tornar um instrumento do desenvolvimento local
sustentado, garantirá a melhoria da qualidade de vida, oferta de novos empregos
e geração de renda para a sociedade local. Através
da entrevista percebeu-se que a baixa qualificação da mão-de-obra o turismo
vem sendo efetuado em Chapada, também têm dificultado o seu desenvolvimento,
mas que vem sendo superado através do crescente interesse da comunidade em
participar de cursos de formação profissional; A
consciência turística por parte da população é outro aspecto verificado
pelos entrevistados, como sendo um dos obstáculos para que Chapada eleve a
atividade turística aos patamares desejados, pois acreditam que o turismo
depende da população querer que o mesmo aconteça, ninguém é mais responsável
pelo desenvolvimento do turismo do que a própria comunidade.
É ela quem escolhe o que quer fazer e como quer fazer.
Sem a comunidade nada acontece, portanto o planejamento do turismo deve
passar por um programa de conscientização da população quanto à importância
dessa atividade econômica poderosa e geradora de emprego. Isto depende de uma
mudança cultural que fará com que a população passe a enxergar o turismo
desta maneira e exigir providências concretas e corretas em prol do mesmo. Para
finalizar conclui-se
que a capacitação e
qualificação de mão-obra, a integração dos vários parceiros do processo de
desenvolvimento turístico, a importância da conservação do meio ambiente e a
ocupação real do poder municipal como gestor deste processo, são elementos já
identificados pela sociedade civil organizada como indispensáveis para
alavancar o turismo na Chapada dos Guimarães. É essencial o engajamento da
comunidade aos demais segmentos, no sentido de traçar uma política que, além
de valorizar o turismo regional, trabalhe pela preservação dos mananciais,
“guardando” para as futuras gerações o que há de mais belo. 6. Referências Bibliográficas BENI, Mário Carlos. A política do Turismo. In: TRIGO, Luiz Gonzaga Godoi (Org.).Turismo como aprender, como ensinar – São Paulo: SENAC São Paulo, 2001. BNDES. Turismo ecológico: uma atividade sustentável. BNDES Setorial. Nr. 10,Brasília/2000. BOULLON, Roberto C. Proyectos Turísticos: identitificación, localización y dimensionamento. In: DENCKER, Ada de Freitas Manetti. Métodos e técnicas de pesquisa em turismo. 2ª ed. São Paulo: Futura, 1998. COMISSÃO MUNDIAL SOBRE O MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO. Nosso futuro comum. 2ª ed. Rio de Janeiro: FGV,1991.p.49 CARVALHO, Caio Luiz de. Na busca do Turismo que queremos. In: LAGE, Beatriz Helena Gela, MILONE, Paulo César (Org.) Turismo: Teoria e Prática – São Paulo: Atlas, 2000. COBRA, Marcos, 1940 – Administração em Marketing – 2ª edição – São Paulo: Atlas, 1992. GIACOMINI, Gino Filho. Marketing: conteúdo, didático e perspectiva.In TRIGO, Luiz Gonzaga Godoi (Org.).Turismo – Como aprender, como ensinar. São Paulo: Senac,2001 GODOY, Arilda Schimidt. A pesquisa qualitativa e sua utilização em administração de Empresas. Revista de Administração de Empresas – RAE, São Paulo, V.35, nº 4, p.65-71 jul. /ago. 1995. IBAMA, INSITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE. http://ibama.com.br . Jul/2001 LAGE,
Beatriz Helena Gales, MILONE, Paulo César. Bases para a elaboração de um Trabalho
Científico no Turismo. Turismo Teoria e Prática – São Paulo: Atlas, 2000.
MCINTOSH, Robert e GUPTA, Shashikant. Turismo: planeación, administración y Perspectivas.
In: LAGE, Beatriz Helena Gelas,
MILONE, Paulo César (Org.) .Teoria Econômica,
Comunicação e Marketing do Turismo. Turismo:
Teoria e Prática – São Paulo:
Atlas,2000. MIELENHAUSEN, Ulrich. Gestão do Mix promocional para agências de viagens e turismo. In. LAGE, Beatriz Helena Gellas, MILONE, Paulo César. Turismo Teoria e Prática – São Paulo. Atlas, 2000. MMA, MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. http://www.mma.gov.br. Brasília, Jul/2001 . OMT , ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAUDE, 2001 PETROCCHII, Mário. Turismo: Planejamento e gestão - São Paulo: Futura, 1998. RUSCHMANN, Dores Van de Meene. In: LAGE, Beatriz Helena Gelas, MILONE, Paulo César (Org.) Turismo: Teoria e Prática – São Paulo: Atlas, 2000. SAAB, William George Lopes. Considerações sobre o desenvolvimento do setor de turismo no Brasil. BNDES Setorial, Rio de janeiro, nº 10, p-285-312, set. / 1999. SILVEIRA, Antônio R. dos Santos - Programa Ambiental: A Última Arca de Noé. http://www.aultimaarcadenoe.com) TABARES, Fábio Cárdenas. Producto turístico: aplicación de la estadística y del mustreo para su disenõ.In: DENCKER, Ada de Freitas Manetti. Métodos e técnicas de pesquisa em turismo. 2ª ed. São Paulo: Futura, 1998.
Autoras:
|