A aplicação
da atividade turística no Brasil do século passado Analisando sua trajetória, pode-se afirmar que houve fatos marcantes na história do turismo brasileiro. Do ponto de vista institucional, a proto-história jurídico institucional do turismo, data de 4 de maio de 1938, através do Decreto-Lei 406, que no seu artigo 5º discutia as regras sobre a venda de passagens aéreas, marítimas e terrestres. Este Decreto veio a ser regulamentado em 20 de agosto do mesmo ano, dispondo sobre o funcionamento das agências de vendas de passagens e das agências de turismo, além de vistos consulares. No entanto foi só em 1966, que o país e a atividade foram contemplados com uma política, através da Lei 55 de 18/11/66, marco importante para o turismo qualitativo brasileiro. Definia a política nacional de turismo bem como criava o Conselho Nacional de Turismo e a Empresa Brasileira de Turismo, dentro de uma grande reforma administrativa por que passava o país. A política empregada neste período foi a de megaprojetos dentro da metodologia longitudinal urbano-turística, cujo objetivo maior era promover igualdade de desenvolvimento, gerando equilíbrio entre os estados da Federação, tendo sido escolhido a região nordeste do país para se desencadear as diretrizes estabelecidas. Problemas de sustentabilidade e princípios éticos são detectados. Embora o plano de 66 e o Decreto 406 tenham trazido contribuições para o desenvolvimento da atividade turística, são considerados como integrantes da pré-história jurídico-institucional do turismo no país. A vigência do plano de 66 dura até 28 de março de 1991, com a revogação daquele Decreto-Lei, pela Lei 8.181 de 28 de março de 1991, que objetivava reestruturar a Embratur, dando início ao terceiro período da história institucional do turismo no Brasil. Concedia à Embratur a finalidade de formular, coordenar e executar a política nacional de turismo, propondo ao Governo Federal normas e medidas à execução da Política Nacional de Turismo e executar as decisões. A
reestruturação por que passou a Embratur través da Lei 8.181 de 28 de março e
regulamentada pelo Decreto 448 de 14 de fevereiro de 1992 transformou a
instituição de empresa pública para autarquia, mudando sua nomenclatura de
Empresa para Instituto Brasileiro de Turismo, durante o primeiro mandato do
Governo de Fernando Henrique Cardoso, que conforme o artigo 2º, tem a finalidade
de formular, coordenar, executar e fazer a Política Nacional de Turismo. A estrutura do sistema, portanto é constituída de elementos que interagem concomitantemente em suas relações, expressando-se através de seus componentes. Neil Leiper (1990) em seu sistema turístico modelado a partir do comportamento da oferta e da demanda estabelece uma base de três elementos orientadores. O primeiro deles é a presença do elemento geográfico, caracterizado por uma região geradora de turistas, ou seja, de um núcleo emissivo; uma região de destinação turística, convencionada de núcleo receptivo e as rotas de trânsito que exigem por ilação o desencadeamento tanto para frente, quanto para trás de toda a cadeia produtiva de uma indústria caracterizada essencialmente pela existência de unidades de transporte, vias de ligação, força motriz e dos terminais tão importantes, quanto à necessidade da existência de recursos e atrativos turísticos. O segundo elemento é a indústria turística observada desde a região geradora de turistas até o núcleo receptivo, através dos setores primários, secundários e terciários ligados ao turismo, e, por último, do turista, epicentro do sistema. Estes três princípios vêm contornados pelo ambiente social, econômico, cultural, tecnológico, político e religioso, nas suas dinâmicas e sensibilidades, que expandidas ou retraídas tanto no núcleo emissivo quanto no receptivo, desencadeiam impactos na cadeia produtiva. Esta associação permite, portanto, para Zacchi (1998, pg. 5) definir o turismo como sendo “a organização geo-sócio-espacial de uma cidade, estado e ou país, observando sistematicamente os aspectos macro e micro-ambientais em todos os campos de seu complexo sistema, através de constante análise de suas variáveis, quer sejam elas exógenas ou endógenas”. Já para Ignarra em seu livro Fundamentos e Dimensões do Turismo (1999, p. 25), turismo pode ser definido como sendo o “deslocamento de pessoas de seu local de residência habitual por períodos determinados e não motivados por razões de exercício profissional constante”. Entretanto as
mais diversas definições de turismo apresentam um consenso em alguns elementos
que constituem as definições tais como viagem e deslocamento, permanência fora
do domicílio, temporalidade, sujeito do turismo, objeto do turismo (BENI, 1998,
p. 39), podendo-se dizer, que é a partir destes elementos que o desenvolvimento
regional de fato se caracteriza. Desta forma o alvo dos debates deve ser convergido para a idéia de integração. Butler (2002) afirma que o termo é empregado com freqüência tanto de forma coloquial quanto na literatura, mas que a idéia essencial de integração é que de sua introdução “resulte uma comunidade aceitável e funcionalmente ideal, em termos tanto ecológicos quanto humanos” (BUTLER, 2002, p. 88). É possível notar o conceito de integração em justaposição a idéia de uma situação futura desejada ótima. Assim, criar espaços de rapidez, banindo o princípio da viscosidade poderia ser um dos objetivos da implantação da atividade turística em qualquer escala, proporcionando a incidência em primeira estância, de uma estruturação cuja lógica reticular possa transforma-se em fonte de ingressos para proposição de um equilíbrio entre regiões. Tem-se neste contexto, a incidência do nexo informacional nas relações sociais impostas nesta dinâmica, “produzindo-se intercâmbio e hábitos e normas sociais, assim como melhor conhecimento entre os povos, convertendo-se em elemento fundamental da paz e harmonia entre elas” (MONTEJANO, 2002, p. 7). A idéia,
portanto de integração deve ser objeto de discernimento como forma alternativa
para se atingir, através da atividade turística o desenvolvimento regional.
Torna-se oportuno salientar a necessidade de haver contundente ação de
zoneamento, cuja estruturação da oferta física possibilite a implantação de
redes de infra-estrutura a todos os agentes envolvidos através da receita
proveniente do setor. Desta forma o entrelaçamento de uma eficiente política
torna-se uma segunda etapa de integração, que caminha paralelamente e cujos
processos devem apresentar componentes permanentes de gerenciamento e avaliação
contínua. Banir o
processo mutável de urbanização capitalista que cria a dinâmica centro periferia
torna-se também um dos primeiros obstáculos a serem superados pelo processo de
planejamento turístico, uma vez que a teoria do desenvolvimento e do
subdesenvolvimento parece admitir a existência do metaturismo com países
nucleares e periféricos onde a produção do lazer e sua fruição estabelecem a
acumulação de dependência criando uma geografia desigual. Considerações finais O turismo vem consolidando-se dia-a-dia como uma ferramenta para o desenvolvimento regional. Torna-se elemento presente nos discursos institucionais, mas pouco tem-se discutido as possibilidades estruturais de sua real utilização. Este estudo, portanto, poderá servir como ponto de partida para as discussões acerca do tema, aliado a concepção do crescimento econômico na geração de riquezas e progresso social para todos os agentes envolvidos. Desta forma, conclui-se que para que o desenvolvimento regional de fato aconteça como se propõe, torna-se imperativo duas frentes de ações, mas que se locupletam a dominante, que são o estabelecimento de uma eficiente política que ordene, regule, promova e possibilite o controle das metamorfoses, e a jusante, o princípio da integração como amálgama de interesses numa função tripartite que seja de fato elemento norteador das ações de organização do espaço. A obediência imediata imposta pelo desenvolvimento capitalista urbano promove a difusão do conceito centro periferia e não deve mais ser aceito. Esta influência é que provavelmente tem-se marcado presente nos diálogos da importância da atividade turística como mola propulsora para o desenvolvimento regional. Por outra parte
é intencional e aceitável que até o presente momento a influência do turismo
tenha contribuído somente para meia dúzia de interessados, fundada no comando da
produção e no uso dos objetos que determinam as normas.
Autor:
Giancarlo
Philippi Zacchi
|