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Educação ambiental e
Turismo - Jun/05 |
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A questão
ambiental vem sendo considerada cada vez mais urgente e importante para a
sociedade, pois o futuro da humanidade depende da relação estabelecida entre a
natureza e o uso pelo homem dos recursos naturais disponíveis.
Para Ruschmann (1997) a educação para o turismo ambiental deverá ser
desenvolvida por meio de programas não-formais, convidando o “cidadão-turista” a
uma participação consciente na proteção do meio ambiente não apenas durante as
férias, mas também no cotidiano e no local de residência permanente.
Nos últimos séculos, um modelo de civilização se impôs, trazendo a
industrialização, com sua forma de produção de trabalho, além da mecanização da
agricultura, que inclui o uso intenso de agrotóxicos e a urbanização, com um
processo de concentração populacional nas cidades. Segundo Dias (2003) em seu
livro “turismo sustentável e meio ambiente” o turismo moderno é um espelho da
revolução industrial, pois desta adquiriu a racionalidade capitalista de usar os
recursos naturais para ter uma renda.
Com todas as transformações ocorridas o turista passa a adquirir o papel que é
exigido pelo modelo, o de consumista, individualista, tornando o turismo uma
atividade que necessita consumir os recursos naturais disponíveis, sem o menor
cuidado, não percebendo que muitos destes recursos não são renováveis. Para
Faria e Carneiro (2001, p. 70) “A relação do turismo com o meio ambiente dá-se
principalmente por meio da paisagem, transformada em produto a ser consumido”.
À medida que a humanidade aumenta sua capacidade de intervir na natureza para
satisfação e desejos crescentes, surgem tensões e conflitos quanto ao uso do
espaço e dos recursos em função da tecnologia disponível e do desenvolvimento do
capitalismo, que contribuiu para o início de um novo período, onde as pessoas
buscavam fugir da vida difícil da cidade e procuravam viajar para o campo, fazer
caminhadas na beira do mar, excursões etc; O turismo é uma das atividades
econômicas mais importantes do país e uma das que mais cresce, devido a prática
do ecoturismo, “um segmento que utiliza de forma sustentável o patrimônio
natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma
consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem
estar das populações envolvidas” (NEIMAN; RABINOVICI 2002, p. 154). Mas é
preciso que este segmento deixe de preparar os locais visitados e passe a
preparar as pessoas para conhecerem os locais, já que estas não possuem uma
formação adequada, portanto não saberão respeitar a natureza. A conceituação de
Costa para o ecoturismo é dada da seguinte maneira:
o ecoturismo poderá contribuir para a conservação da natureza de modo eficaz e
gratificante, ainda mais se estiver amparado em certificações ecológicas das
empresas envolvidas, mas para tanto, deve haver participação efetiva da
sociedade e formação de profissionais qualificados (COSTA, 2002, p. 179).
Dias (2003) afirma que não se pode negar que o impacto do turismo sobre o meio
ambiente é inevitável, então o que se pode fazer é manter a atividade dentro dos
limites aceitáveis, para que não coloque em risco o meio ambiente, causando
danos irreversíveis, assim os visitantes poderão usufruir melhor do local.
Também é importante ressaltar que o turismo não é o único vilão deste processo
de modificação ambiental, pois existem outros processos econômicos que também
contribuem para as mudanças ambientais ocorridas nos destinos turísticos.
No Brasil a prática do ecoturismo é bastante preocupante, já que o país possui
abundantes recursos naturais, e em sua maioria esta prática é utilizada de forma
incorreta causando danos irreparáveis ao meio ambiente, mas embora este possa
causar ou agravar a situação do meio ambiente. Mesmo assim é considerada uma das
alternativas mais importantes de desenvolvimento econômico sustentável.
O turismo de pesca conhecido como pesca esportiva, também é uma prática que vem
crescendo no Brasil, e é bastante cultivada nos grandes centros, como exemplo o
Estado de São Paulo, que possui inúmeras cidades com rios, lagos etc. e promove
diversos eventos ao longo do ano, atraindo milhares de turista. Acontece que em
muitos lugares as normas estipuladas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente
e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) não são cumpridas, e devido essa
falta de consciência há uma diminuição dos peixes e em conseqüência do fluxo de
turistas. Em razão dessa realidade é que se deve instituir novas formas de
exploração dos recursos naturais para fins turísticos, aí é que entra a questão
da educação ambiental, para formar cidadãos conscientes por meio de seus
programas educativos. A citação abaixo deixa claro isso.
A educação ambiental tem como um de seus objetivos formar cidadãos conscientes
de sua relação com a natureza e com seu habitat. Diante disso, conclui-se que
ela, independentemente da metodologia, deve primar pela formação de pessoas
conscientes de seu papel e de sua relação com o meio ambiente de modo a primarem
pela sustentabilidade, através do uso racional dos recursos naturais, para que
tanto esta quanto as futuras gerações possam também deles usufruir, (NEIMAN;
RABINOVICI 2002, p. 146).
O principal objetivo da educação ambiental é o desenvolvimento sustentável, que
inclui a prática do turismo sustentável, esta prática visa a melhoria da
qualidade de vida da comunidade receptora e oferece aos visitantes uma
experiência enriquecedora, além de manter a qualidade do meio ambiente do qual
todos dependem. Para que esta sustentabilidade ocorra é necessário que as
pessoas tomem consciência de que se deve preservar o meio ambiente, através de
programas de educação ambiental onde todos os envolvidos na atividade turística
ou não, deveriam participar. É nesse sentido que a escola tem o papel
fundamental, pois esta é responsável pela educação e formação do cidadão. Dias
(2003, p. 178) em Turismo Sustentável e meio ambiente afirma:
Um primeiro passo é considerar que as escolas têm um papel fundamental na
modificação dos padrões de comportamento e consumo das crianças e dos jovens,
com intuito de torna–los agentes ativos no processo de obter melhor qualidade de
vida e adequado relacionamento com o meio ambiente natural.
O Pará considerado o portão de entrada da Amazônia recebe turistas do mundo
inteiro que buscam a natureza como forma de lazer, e em sua maioria contribuem
para a destruição desta, já que estes muitas vezes poluem as praias, os parques,
os museus etc, e, no entanto é indispensável a presença destes no Estado do
Pará, já que este está em fase de expansão do turismo. Infelizmente de forma
desordenada, contribuindo rapidamente para sua degradação, sendo a maior vítima
deste turismo insustentável as comunidades residentes dos destinos turísticos.
É necessário que os moradores percebam a importância de preservar o meio
ambiente, uma comunidade mais consciente estará mais preparada para receber o
turista e cobrar dele o mesmo respeito que é dado pelos habitantes do local.
REFERÊNCIAS
CARNEIRO, Kátia Saraiva; FARIA, Dóris Santos. Sustentabilidade ecológica no
turismo.Brasília: ed. UnB, 2001.
COSTA, Paula Chamy Pereira da. Reflexões finais: a real contribuição do
ecoturismo para a natureza. In: NEIMAN, Zysman (Org). Meio ambiente, educação
ambiental e ecoturismo. São Paulo: Manole, 2002.
DIAS, Genebaldo Freire. Educação ambiental: princípios e práticas. 8º edição.
São Paulo: Gaia, 2003.
NEIMAN, Z; RABINOVICI. O cerrado como instrumento para educação ambiental em
atividades de ecoturismo. In: NEIMAN, Zysman (Org). Meio ambiente, educação
ambiental e ecoturismo. São Paulo: Manole, 2002.
RUSCHMANN, Dóris Van De Meene. Turismo e planejamento sustentável. São Paulo:
Papirus, 1997.
Autor:
Jisleyangela Freitas Cid
Estudante do Curso de Turismo- UFPA
Parte do Trabalho de Conclusão do Curso, orientado pelo Profº. Ms. Raul Ivan -UFPA
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