O Ensino de Turismo O contexto
internacional em mutação influencia o clima de incerteza e insegurança, apesar
de apontar novas possibilidades. A competitividade dos novos países
ex-socialistas e dos países em desenvolvimento da América Latina e da Ásia no
mercado capitalista não ajuda a economia dos países desenvolvidos a crescer e,
concomitantemente, gerar mais empregos. Dentro desse quadro, a cultura e o
ensino, ou seja, a informação em geral, torna-se fundamentais para os novos
profissionais. Jean-François Lyortard afirma que “sob a forma de mercadoria
informacional indispensável ao poderio produtivo, o saber já é e será um desafio
maior, talvez o mais importante, na competição pelo poder” (Lyortard 1986, p.
5). 1.1 - O ENSINO DE TURISMO NO MUNDO A formação superior em turismo passou a ser importante em vários países europeus, especialmente após a década de 1960. Na Espanha, a partir de 1964, foram realizadas discussões em diversos níveis sobre os problemas técnicos, econômicos e sociais do turismo. A Organização Mundial do Trabalho estima a necessidade do mercado turístico internacional em cerca de 11 milhões de profissionais, o que implica exigências para atender à quantidade e à qualidade dessa mão-de-obra especializada. Na Alemanha, a escolaridade obrigatória dura de nove a dez anos e o sistema educacional privilegia a formação profissional. O ensino médio em hotelaria, restaurantes e turismo é feito por escolas e empresas, tem uma duração média de três anos e passa por atividades práticas no local de trabalho como forma de aprendizagem. Na Espanha, o ensino foi regulamentado em 1980 e, em 1989, totalmente revisado. Para cursar qualquer escola superior na área, exige-se educação secundária completa. Os cursos têm duração de três anos e o aluno sai com o título de técnico de empresas e atividades turísticas, com valor acadêmico universitário. O desemprego é raro na atividade turística, o que significa uma boa absorção desses profissionais, apesar da alta taxa de desemprego da Espanha (21%). Porém, há várias questões pendentes sobre a formação profissional turística na Espanha: 1 – formação
teórica e prática, em termos de duração, conteúdo e condições da prática; Portugal tem vários cursos de nível médio e superior de turismo, vários ainda sem reconhecimento oficial. Portugal tem ainda o Instituto Nacional de Formação Turística (INFT), responsável pela publicação de vários textos sobre o turismo português e europeu e pela análise dos variados currículos de turismo dos países da Comunidade Européia, para emitir certificados de equivalência para profissionais diplomados de outros países de CE que desejem trabalhar em Portugal. O Reino Unido também oferece cursos superiores de lazer, turismo, hotelaria e entretenimento, estando a maioria deles intimamente ligada a empresas privilegiando atividades e pesquisas práticas e direcionadas à realidade do mercado. 1.2 - O CONTEXTO NACIONAL / REGIONAL E A FORMAÇÃO EM TURISMO No passado, a vertente jurídico-legal do turismo foi se estruturando lentamente, e, simultaneamente, algumas entidades empresariais também foram se organizando. Como setor organizado da economia, o turismo no Brasil tinha estruturação recente e precária. Tanto o setor privado quanto o setor público pouco investiam nessa área. Há poucas iniciativas relevantes. Em 1928, a Sociedade Brasileira de Turismo, hoje Touring Clube do Brasil, promoveu a primeira Convenção Interestadual de Turismo para seus sócios e, em 1932, foi organizada uma segunda convenção. A entidade era dirigida aos poucos proprietários de automóveis dos anos 1920 e foi a primeira a se preocupar com o turismo nacional. Em 10/01/1946, foi cria do o Decreto-Lei n.º 8.621 o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) que, no futuro, teria grande importância na formação – dos níveis básico, médio e superior – de profissionais nas áreas de hotelaria e turismo no Senac/Ceatel. O Decreto-Lei n.º 853 de 13/09/1946 criou o Serviço Social do Comércio (Sesc). Essa entidade juntamente com o Senac, muito contribuiu para a teoria e a prática do lazer social. Lazer e cultura são atividades muito importantes no Sesc, e reúnem colônias de férias, balneários, centros campestres e centros culturais para usos de seus associados, em uma prática exemplar de lazer e turismo social. Em 1953, foi criada a Associação Brasileira de Agentes de Viagens (Abav) no Rio de Janeiro, posteriormente estruturada em outros estados da Federação. O primeiro congresso nacional da Abav aconteceu em São Paulo, em abril de 1959. Em 1955, foi criado o Skal Club de São Paulo, o primeiro do Brasil. O Skal é um clube de dirigentes do turismo, destinado primordialmente a atividades sociais. Os primeiros dados estatísticos sobre turismo receptivo no Brasil começaram a ser realizados sistematicamente a partir de 1968 pela Embratur que, nesse ano, apontou 290.079 chegadas internacionais ao país. Analisado os dados da Embratur, observa-se que o turismo receptivo cresceu até 1980, decresceu até 1982 e recomeçou a crescer em 1983, mantendo-se em ascensão até 1986. A partir desse ano, vem caindo de forma acentuada e os motivos são a deterioração da infra-estrutura nacional em geral, o descrédito político, a dívida externa, os problemas ambientais, as crises econômicas e o aumento da criminalidade, com conseqüente repercussão na imprensa internacional. 1.3 - O SURGIMENTO DOS CURSOS DE TURISMO A Habilitação Única em Turismo é relativamente recente no Brasil, assim como outros cursos superiores como, por exemplo, os da área de comunicações e informática. O curso superior de turismo começou a existir na burocracia governamental pelo Parecer n.º 35/71 do Ministério de Educação, feito pelo relator conselheiro Roberto Siqueira Santos e aprovado em 28/01/1971, do Conselho Federal de Educação, que fixou o conteúdo mínimo e a duração do curso superior de turismo. O primeiro curso de turismo do Brasil foi criado em 1971 (a atual Faculdade Anhembi-Morumbi), em pleno regime militar. Segundo Berger, o golpe de 1964 transformou o sistema educacional – além da política e das Forças Armadas – instrumentos para o controle do processo de desenvolvimento da sociedade. Esse desenvolvimento era eminentemente tecnicista, menosprezando os aspectos sociopolíticos e culturais da superestrutura social. 1.4 - ESCOLAS SUPERIORES DE TURISMO Apenas em 1971 é que surgem as primeiras preocupações com a formação profissional e a mão-de-obra especializada em turismo, com a criação da Faculdade de Turismo no Morumbi em São Paulo, que, conforme foi analisado anteriormente, surge em pleno “milagre” brasileiro. Indiscutivelmente, fazia-se necessária a organização de escolas de turismo no Brasil. Na Europa e na América do Norte, essas escolas, de nível técnico e superior, já estavam implantadas há vários anos, formando pessoas para planejar e operacionalizar viagens e turismo.
CRONOLOGIA DA ABERTURA DE ALGUNS DOS CURSOS DE TURISMO NO BRASIL
2 - A FORMAÇÃO DO PROFISSIONAL EM TURISMO NO BRASIL O bacharel em turismo precisa de algumas habilidades fundamentais para se tornar um profissional qualificado e realizado individualmente e socialmente. Há desde o impacto vocacional até outros pontos como iniciativa, determinação, criatividade, persistência, autoconfiança, conhecimentos técnicos e o sentido de profissionalismo, que é mais do que encarar a profissão como uma simples ocupação destinada a garantir sua sobrevivência. Os futuros profissionais, durante a graduação, devem ter acesso a uma visão abrangente e completa do que a profissão e o mercado turístico representam. Para isso, o curso todo, orientado por um projeto pedagógico consistente, deve apontar para objetivos claros e desafiadores. O mercado de trabalho é bastante variado. O bacharel em turismo pode se inserir em um conjunto bastante diversificado de atividades: 1 – setor privado em hotelaria e similares, agências de viagens e de turismo,
companhias aéreas e demais setores de transporte, setor de congressos e eventos,
exposições e feiras comerciais e industriais de caráter regional, nacional ou
internacional; Os principais “concorrentes” do bacharel em turismo no mercado de trabalho são: 1 – profissionais com curso superior de administração de empresas, economia,
direito, sociologia, relações públicas, etc.; CONCLUSÃO O turismo no Brasil ainda caminha a passos curtos e projeção longínqua; precisa
ser avaliado e planejado de forma que possa competir por igual com outros países
que não possuem a dimensão da matéria prima que possuímos, mas por questão de
gestão e profissionalismo estão no patamar dos países mais requisitados
turisticamente. Em um mundo tão mutável e flexível, como orientar os futuros
profissionais pelas trilhas do conhecimento? É necessário investir em outros
segmentos do turismo de tal forma que o turista possa se interessar em explorar
outras atividades desvinculadas do turismo de massa (sol e mar), como por
exemplo o ecoturismo. Não basta investimentos em equipamentos hoteleiro, se não
houver profissionais qualificados ao atendimento do turista, que está cada vez
mais exigente. É necessário inovar na apresentação do Brasil ao exterior, visto
que é um país extremamente rico em potencial natural e cultural, precisa ser
explorado de maneira inteligente, rentável e significativo. Esse foi o objetivo
deste trabalho, mostrar que o Turismo está crescendo cada vez mais no nosso país
e que precisamos desenvolver projetos de educação ambiental nas escolas de
ensino fundamental, Ampliar a capacidade de vôos particulares (vôos chartes),
tendo a oportunidade de ampliar a área a ser estudada.
|