Ensino Superior em Turismo e Hotelaria no Brasil: Um Estudo Exploratório - Mai/03

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Enfoque Mercadológico pt.2

Qualidade de Ensino
Um dos objetivos deste estudo foi analisar como as IES gerenciavam as questões relativas à qualidade dos cursos de graduação em turismo/hotelaria.

Texto dividido em 4 partes
Introdução / Evolução para o Turismo
Enfoque Mercadológico pt. 1
Enfoque Mercadológico pt. 2
Conclusão

Procurou-se identificar como as IES fazem o acompanhamento e implementação de instrumentos que permitam o diagnóstico dos problemas referentes à qualidade dos seus cursos. De acordo com os respondentes, a qualidade dos cursos é uma prioridade, e apenas um deles apresentou uma perspectiva negativa ao afirmar que a instituição onde trabalhava não valorizava o curso e não investia em qualidade. Para facilitar o entendimento dessas percepções, as respostas foram agrupadas em categorias, como pode ser vista na tabela 4 a seguir:

Tabela 4- Distribuição percentual das formas de gerenciamento da qualidade

Procurou-se também investigar especificamente quais as formas de controle de qualidade adotadas nos cursos. As respostas foram agrupadas e estão relacionadas na tabela 5.

Tabela 5-Distribuição percentual da formas de controle de qualidade adotadas nas IES pesquisadas

Como pode ser visto nas respostas, a avaliação dos professores pelos alunos é prática comum nas IES que participaram desse estudo. Essa avaliação, segundo os respondentes, pode ser realizada de várias formas: semestral, anual, através de questionários, amostral, em reuniões ou informal. Para alguns, essa avaliação é mais ampla e é chamada avaliação institucional, onde não só os professores são avaliados, mas a instituição como um todo, laboratórios, biblioteca e serviços. Apenas 10% mencionam realizar avaliações externas onde representantes do setor ou professores de fora fazem uma avaliação.

Procurou-se verificar se as instituições realizavam o acompanhamento dos seus egressos. Apenas 10% das instituições pesquisadas dizem realizar pesquisa de acompanhamento com os egressos, 55% não realizam porque ainda não têm alunos graduados, e as restantes não fazem. Algumas comentam que, apesar de não terem acompanhamento sistemático dos egressos, o número de alunos que trabalham nas empresa privadas é sempre superior ao do setor público e que este percentual varia de 15 a 60%. Uma delas comentou que 22% dos alunos do 5º período já estavam trabalhando na área.

Perfil dos Alunos
Apesar de os cursos de graduação em turismo/hotelaria serem recentes, visto que a maioria dos respondentes iniciou suas atividades no final dos anos 90, o número de alunos freqüentadores desses cursos é alto, como pode ser visto no gráfico 6. É interessante mencionar que três delas têm mais de mil alunos na faixa de mais de 500.

Gráfico 6- Distribuição percentual do número de alunos freqüentando os cursos

O número de graduados também é elevado conforme gráfico 7, pois dentre as 50% que responderam (os 50% restantes não sabiam ou não tinham alunos graduados), 30% têm mais de 500 alunos que já concluíram os cursos, chegando 15% delas a mencionar números acima de mil.

Gráfico 7- Distribuição percentual de alunos graduados

Ao analisar o gráfico 8, pode-se observar que os cursos examinados são predominantemente femininos, pois, entre que responderam a essa questão, verifica-se que em 94,2% das instituições predominam os alunos do sexo feminino nas faixas maiores de 50%.

Gráfico 8 - Distribuição percentual de alunos com relação ao sexo

Os alunos que cursam turismo/hotelaria na sua maioria estudam e trabalham como pode ser visto no gráfico 9 a seguir. Entre os que responderam a essa questão, 70,8% estão na faixa de mais de 50% dos alunos que estudam e trabalham contra 16% na mesma faixa dos que só estudam.

Gráfico 9- Distribuição percentual dos alunos só estudam e dos que estudam e trabalham

Perfil dos Docentes
Procurou-se observar inicialmente quantos professores trabalhavam nos departamentos de turismo/ hotelaria das instituições que participaram do estudo. Pode-se perceber, no gráfico 10 a seguir, que 46% das instituições possuem de onze a vinte docentes nos seus quadros. Uma das instituições declarou possuir 61 docentes no seus cursos de turismo e de hotelaria com 1.429 alunos..

Gráfico 10- Distribuição percentual do número de docentes nos departamentos de turismo/hotelaria

 Dentre eles, a grande maioria trabalha nessas instituições em tempo parcial, com vinte horas ou quarenta horas ou no regime de horista. Apenas duas das instituições que responderam a essa questão têm mais de 20% de seus professores em regime de dedicação exclusiva.

Identificou-se que a formação acadêmica ("background") dos professores dos cursos de turismo/ hotelaria é muito heterogênea, pois foram mencionadas 27 formações diferenciadas. Dentre elas, as mais destacadas foram Turismo, seguida de Administração, Geografia e História. Após essas, aparecem Sociologia, Letras (Português, Inglês, Espanhol), Economia, Psicologia, Informática, Administração Hoteleira e Direito.

Para que o profissional de turismo/hotelaria seja competente no exercício da sua profissão, é necessário que sua formação contemple tanto os aspectos teóricos como os práticos. Com o objetivo de conhecer como essa equação se concretizava, interrogou-se a respeito do percentual dos docentes que tinham experiência prática na área. Como pode ser visualizado no gráfico 11, é relativamente baixo o percentual de docentes que já trabalharam especificamente na área, pois 69% dos que responderam a essa questão afirmam que somente até 50% dos docentes do seu curso têm experiência prática em turismo/hotelaria.

Gráfico 11- Distribuição Percentual dos docentes que tem experiência prática na área

Ao analisar a qualificação do quadro docente dos cursos de turismo/hotelaria, observa-se, no gráfico 12, que o percentual de professores com doutorado é relativamente baixo, pois 83% das instituições têm apenas até 25% do seu quadro com essa qualificação A situação é melhor com relação a curso de mestrado, já que se verifica que, em 40% das instituições, 26 a 50% dos docentes têm essa qualificação e que, em 28.5% delas, 51 a 75% dos docentes têm esse diploma. Verifica-se também que 86% das instituições têm ainda até 25% do seu quadro docente com professores graduados apenas e 69% com curso de especialização apenas.

Gráfico 12 - Freqüência das instituições pelo percentual de professores que possuem curso de graduação/mestrado/especialização e doutorado

Pode-se observar que muito poucos docentes tinham mestrado ou doutorado em turismo ou hotelaria. Dentre os cursos de doutorado citados, destaca-se administração, geografia, história e sociologia. Dentre os de mestrado, a variedade é semelhante à da graduação, não havendo muitos mestres em turismo/hotelaria. Relacionamento com a Indústria Todas as instituições pesquisadas afirmam manter vínculos com organizações privadas ou públicas. A principal forma de relacionamento observadas entre as IES e as organizações privadas é convênio para estágio, mas muitas outras formas podem ser realizadas como pode ser visto na tabela 6.

Tabela 6- Distribuição percentual das formas de relacionamento entre as IES e empresas

Entre as IES e as organizações públicas existem várias formas de relacionamento efetivadas através da participação das primeiras no Conselho Municipal de Turismo, no Comitê Estadual do Programa Nacional de Municipalização do Turismo PNMT, na Secretaria de Estado do Turismo, Embratur, Centro de Estudos Avançados para o Turismo, além de convênios de estágio, treinamento, parcerias. Foram também mencionadas relações de parceria com Organizações Não- Governamentais.

Estágio
Todas as IES pesquisadas oferecem estágio nos seus cursos de graduação. De forma geral, o estágio curricular é oferecido no último ano, tanto no último semestre como nos dois últimos, dependo da sua duração. Todavia, algumas instituições oferecem estágio extracurricular a partir do segundo ano e o curricular no sétimo e oitavo semestres. Foram mencionados também por alguns dos respondentes estágios no terceiro, no quarto, no quinto, no sexto e no sétimo semestre, mas sem especificar se eram curriculares ou extracurriculares.

Quanto à duração do estágio também foi variada a resposta, apesar de a maioria ter citado 300 horas, conforme estabelecido nas Propostas de Diretrizes Curriculares do MEC. Foi mencionado também estágio variando de 576 horas até 120 horas, de dois anos, um ano e até seis meses.

Com relação ao tipo de organização onde os estágios são realizados, verificou-se que todos os respondentes mencionaram hotéis e organizações públicas. Observou-se que 85% encaminham seus alunos para empresas de transporte, 62% para restaurantes, 55% para agências de viagens e operadoras. Um número mais reduzido mencionou empresas de eventos, complexos turísticos, parques temáticos, empresas de lazer e entretenimento. Foram mencionados também centros de convenções, centros culturais, convention bureau, associações de classe, SENAC, SEBRAE, assessoria de treinamento, empresa de alimentação e organizações não governamentais.

Existem problemas para a implementação e funcionamento de um programa de estágio eficiente, e muitos deles foram mencionados pelos participantes deste estudo. Os mais relevantes se relacionam às empresas provedoras que, segundo os respondentes, não estão preparadas para supervisionar o estágio, adotando práticas inadequadas e utilizando os alunos como mão-de-obra barata. Além disso, as empresas foram criticadas por não remunerarem os alunos dignamente ou não cobrirem despesas de transporte e alimentação.

Outro problema se refere às dificuldades dos próprios alunos para compatibilizarem os horários de trabalho com os de estágio, visto que a grande maioria trabalha para custear os próprios estudos. Existem também dificuldades advindas da falta de campo de estágio para acomodar o grande contingente de alunos. Finalmente, merecem citação os problemas decorrentes da dificuldades de supervisão que deveria ser oferecida pela escola, porque os professores, na sua maioria, trabalham sem dedicação exclusiva às instituições.

A Formação de Empreendedores /para as Pequenas Empresas
Muitas universidades no Brasil têm sido sensíveis à demanda da comunidade para a criação de uma mentalidade empreendedora, trazendo novas perspectivas de trabalho para os alunos que ficavam anteriormente limitados à visão do emprego público ou na empresa privada. De forma geral, a oferta de cursos de formação de empreendedores tem sido feita pelos departamentos de administração, mas tem permitido que alunos dos diversos cursos possam participar com disciplinas de caráter obrigatório ou optativo. Como muitos cursos de turismo/ hotelaria são voltados para aspectos gerenciais, procurou-se verificar até que ponto as instituições que os ofereciam estavam atentas a essa abordagem.

Verificou-se que cerca de 40% das instituições que participaram do estudo não oferecem, no momento, cursos voltados para a formação de empreendedores, mas cerca de 10% delas demonstraram que têm intenção de oferecer como disciplina da  graduação ou em curso de extensão. Cerca de 17,5% das IES oferecem a disciplina Novos Negócios/ Empreendedorismo nos seus cursos de graduação, como obrigatória ou eletiva, ou discutem o seu conteúdo em disciplinas como Tópicos Emergentes. Também é ofertada em cursos de pós- graduação por 12,5% dos respondentes ou em cursos de extensão por 15%. Alguns mencionam que vêm oferecendo esse curso em convênio com o SEBRAE. Merece destaque o comentário de um participante do estudo com relação ao envolvimento de sua instituição na formação de empreendedores:

"Temos os maiores índices de criação de empresas do Brasil. A cada 50 alunos
formados, 32 abrem empresas. Temos empreendedorismo no currículo, além da
escola do empreendedor e da formação de líderes."

A exemplo das demais atividades econômicas, a maioria dos negócios do setor de turismo é realizada por empresas de pequeno porte. Um das questões dessa pesquisa se voltou especificamente para a existência de cursos voltados para o estudo das pequenas empresas. Verificou-se que apenas um percentual de 22,5%
fazem menção a algum tipo de ação que se volte para essas empresas. Um deles mencionou a existência de disciplinas específicas- Administração de Pequenos Hotéis e Administração de Agências. Alguns afirmam que o enfoque do curso é para administração não só das grandes, mas também das pequenas. Outros mencionam esse tópico em cursos de aperfeiçoamento ou de extensão, tendo como um dos alvos as pequenas empresas da região. 

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Autor:
Profa. Rivanda Teixeira
 

 

 

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