Procurou-se identificar como as IES fazem o acompanhamento e implementação de instrumentos que permitam o diagnóstico dos problemas referentes à qualidade dos seus cursos. De acordo com os respondentes, a qualidade dos cursos é uma prioridade, e apenas um deles apresentou uma perspectiva negativa ao afirmar que a instituição onde trabalhava não valorizava o curso e não investia em qualidade. Para facilitar o entendimento dessas percepções, as respostas foram agrupadas em categorias, como pode ser vista na tabela 4 a seguir:
Tabela 4- Distribuição percentual das formas de
gerenciamento da qualidade Procurou-se também investigar especificamente quais as formas de controle de qualidade adotadas nos cursos. As respostas foram agrupadas e estão relacionadas na tabela 5.
Tabela 5-Distribuição percentual da formas de
controle de qualidade adotadas nas IES pesquisadas Como pode ser visto nas respostas, a avaliação dos professores pelos alunos é prática comum nas IES que participaram desse estudo. Essa avaliação, segundo os respondentes, pode ser realizada de várias formas: semestral, anual, através de questionários, amostral, em reuniões ou informal. Para alguns, essa avaliação é mais ampla e é chamada avaliação institucional, onde não só os professores são avaliados, mas a instituição como um todo, laboratórios, biblioteca e serviços. Apenas 10% mencionam realizar avaliações externas onde representantes do setor ou professores de fora fazem uma avaliação. Procurou-se verificar se as instituições realizavam o acompanhamento dos seus egressos. Apenas 10% das instituições pesquisadas dizem realizar pesquisa de acompanhamento com os egressos, 55% não realizam porque ainda não têm alunos graduados, e as restantes não fazem. Algumas comentam que, apesar de não terem acompanhamento sistemático dos egressos, o número de alunos que trabalham nas empresa privadas é sempre superior ao do setor público e que este percentual varia de 15 a 60%. Uma delas comentou que 22% dos alunos do 5º período já estavam trabalhando na área.
Perfil dos Alunos
Gráfico 6- Distribuição percentual do número de
alunos freqüentando os cursos O número de graduados também é elevado conforme gráfico 7, pois dentre as 50% que responderam (os 50% restantes não sabiam ou não tinham alunos graduados), 30% têm mais de 500 alunos que já concluíram os cursos, chegando 15% delas a mencionar números acima de mil.
Gráfico 7- Distribuição percentual de alunos
graduados Ao analisar o gráfico 8, pode-se observar que os cursos examinados são predominantemente femininos, pois, entre que responderam a essa questão, verifica-se que em 94,2% das instituições predominam os alunos do sexo feminino nas faixas maiores de 50%.
Gráfico 8 - Distribuição percentual de alunos
com relação ao sexo Os alunos que cursam turismo/hotelaria na sua maioria estudam e trabalham como pode ser visto no gráfico 9 a seguir. Entre os que responderam a essa questão, 70,8% estão na faixa de mais de 50% dos alunos que estudam e trabalham contra 16% na mesma faixa dos que só estudam.
Gráfico 9- Distribuição percentual dos alunos
só estudam e dos que estudam e trabalham
Perfil dos Docentes
Gráfico 10- Distribuição percentual do número de
docentes nos departamentos de turismo/hotelaria Dentre eles, a grande maioria trabalha nessas instituições em tempo parcial, com vinte horas ou quarenta horas ou no regime de horista. Apenas duas das instituições que responderam a essa questão têm mais de 20% de seus professores em regime de dedicação exclusiva. Identificou-se que a formação acadêmica ("background") dos professores dos cursos de turismo/ hotelaria é muito heterogênea, pois foram mencionadas 27 formações diferenciadas. Dentre elas, as mais destacadas foram Turismo, seguida de Administração, Geografia e História. Após essas, aparecem Sociologia, Letras (Português, Inglês, Espanhol), Economia, Psicologia, Informática, Administração Hoteleira e Direito. Para que o profissional de turismo/hotelaria seja competente no exercício da sua profissão, é necessário que sua formação contemple tanto os aspectos teóricos como os práticos. Com o objetivo de conhecer como essa equação se concretizava, interrogou-se a respeito do percentual dos docentes que tinham experiência prática na área. Como pode ser visualizado no gráfico 11, é relativamente baixo o percentual de docentes que já trabalharam especificamente na área, pois 69% dos que responderam a essa questão afirmam que somente até 50% dos docentes do seu curso têm experiência prática em turismo/hotelaria.
Gráfico 11- Distribuição Percentual dos docentes que
tem experiência prática na área Ao analisar a qualificação do quadro docente dos cursos de turismo/hotelaria, observa-se, no gráfico 12, que o percentual de professores com doutorado é relativamente baixo, pois 83% das instituições têm apenas até 25% do seu quadro com essa qualificação A situação é melhor com relação a curso de mestrado, já que se verifica que, em 40% das instituições, 26 a 50% dos docentes têm essa qualificação e que, em 28.5% delas, 51 a 75% dos docentes têm esse diploma. Verifica-se também que 86% das instituições têm ainda até 25% do seu quadro docente com professores graduados apenas e 69% com curso de especialização apenas.
Gráfico 12 - Freqüência das instituições pelo
percentual de professores que possuem curso de graduação/mestrado/especialização
e doutorado Pode-se observar que muito poucos docentes tinham mestrado ou doutorado em turismo ou hotelaria. Dentre os cursos de doutorado citados, destaca-se administração, geografia, história e sociologia. Dentre os de mestrado, a variedade é semelhante à da graduação, não havendo muitos mestres em turismo/hotelaria. Relacionamento com a Indústria Todas as instituições pesquisadas afirmam manter vínculos com organizações privadas ou públicas. A principal forma de relacionamento observadas entre as IES e as organizações privadas é convênio para estágio, mas muitas outras formas podem ser realizadas como pode ser visto na tabela 6.
Tabela 6- Distribuição percentual das formas de
relacionamento entre as IES e empresas Entre as IES e as organizações públicas existem várias formas de relacionamento efetivadas através da participação das primeiras no Conselho Municipal de Turismo, no Comitê Estadual do Programa Nacional de Municipalização do Turismo PNMT, na Secretaria de Estado do Turismo, Embratur, Centro de Estudos Avançados para o Turismo, além de convênios de estágio, treinamento, parcerias. Foram também mencionadas relações de parceria com Organizações Não- Governamentais.
Estágio Quanto à duração do estágio também foi variada a resposta, apesar de a maioria ter citado 300 horas, conforme estabelecido nas Propostas de Diretrizes Curriculares do MEC. Foi mencionado também estágio variando de 576 horas até 120 horas, de dois anos, um ano e até seis meses. Com relação ao tipo de organização onde os estágios são realizados, verificou-se que todos os respondentes mencionaram hotéis e organizações públicas. Observou-se que 85% encaminham seus alunos para empresas de transporte, 62% para restaurantes, 55% para agências de viagens e operadoras. Um número mais reduzido mencionou empresas de eventos, complexos turísticos, parques temáticos, empresas de lazer e entretenimento. Foram mencionados também centros de convenções, centros culturais, convention bureau, associações de classe, SENAC, SEBRAE, assessoria de treinamento, empresa de alimentação e organizações não governamentais. Existem problemas para a implementação e funcionamento de um programa de estágio eficiente, e muitos deles foram mencionados pelos participantes deste estudo. Os mais relevantes se relacionam às empresas provedoras que, segundo os respondentes, não estão preparadas para supervisionar o estágio, adotando práticas inadequadas e utilizando os alunos como mão-de-obra barata. Além disso, as empresas foram criticadas por não remunerarem os alunos dignamente ou não cobrirem despesas de transporte e alimentação. Outro problema se refere às dificuldades dos próprios alunos para compatibilizarem os horários de trabalho com os de estágio, visto que a grande maioria trabalha para custear os próprios estudos. Existem também dificuldades advindas da falta de campo de estágio para acomodar o grande contingente de alunos. Finalmente, merecem citação os problemas decorrentes da dificuldades de supervisão que deveria ser oferecida pela escola, porque os professores, na sua maioria, trabalham sem dedicação exclusiva às instituições.
A Formação de Empreendedores /para
as Pequenas Empresas Verificou-se que cerca de 40% das instituições que participaram do estudo não oferecem, no momento, cursos voltados para a formação de empreendedores, mas cerca de 10% delas demonstraram que têm intenção de oferecer como disciplina da graduação ou em curso de extensão. Cerca de 17,5% das IES oferecem a disciplina Novos Negócios/ Empreendedorismo nos seus cursos de graduação, como obrigatória ou eletiva, ou discutem o seu conteúdo em disciplinas como Tópicos Emergentes. Também é ofertada em cursos de pós- graduação por 12,5% dos respondentes ou em cursos de extensão por 15%. Alguns mencionam que vêm oferecendo esse curso em convênio com o SEBRAE. Merece destaque o comentário de um participante do estudo com relação ao envolvimento de sua instituição na formação de empreendedores:
"Temos os maiores índices de criação de empresas
do Brasil. A cada 50 alunos
A exemplo das demais atividades econômicas, a maioria dos
negócios do setor de turismo é realizada por empresas de pequeno porte. Um das
questões dessa pesquisa se voltou especificamente para a existência de cursos
voltados para o estudo das pequenas empresas. Verificou-se que apenas um
percentual de 22,5% |