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Prezado leitor, você que já teve o privilégio de
estarrecer-se com a leitura de Memórias do Cárcere, relato de Graciliano Ramos,
durante um tempo onde ele foi "hóspede" da policia política do presidente
Vargas, no presídio de Ilha Grande, no Rio de Janeiro, já pensou no martírio dos
preso diante da beleza da Ilha?
Tenho uma edição antiga de "Memórias...", em 2 volumes, mas
acredito que já exista uma nova, em um só volume. Leitura importante não apenas
pela importância de Graciliano para as letras nacionais, mas também para
conhecer um pouquinho de nossa história política ou da vergonha que continua
sendo.
Mas não é de Graciliano que pretendo falar, não agora. Falar
sobre Graciliano, daria umas 8 ou 10 páginas de jornal. Quero falar, sim, de
Ilha Grande. Um amigo, desbravador de 7 mares, operador de turismo, a
contragosto foi passar um final de semana na Ilha. A mulher e a cunhada, mais o
cunhado (cunhado é o bicho mais chato do mundo), que queriam ir ao Rio e ele
teria de bancar o motorista para elas, mais o cunhado. Meu amigo odeia dirigir.
Foi reclamando de tudo, da estrada, dos outros motoristas, até mesmo das paradas
nos postos na beira da estrada, que mulher só faz xixi em privadas.
Como é bom ser homem. Qualquer muro, poste, tronco de árvore
nos 'desapertam'. Mas, surpresa boa!, o que era para ser um final de semana
insosso, só para não contrariar a mulher ou ainda dela levar uns tapas,
praticamente fez com que meu amigo Danilo Andreoni tivesse de ser amarrado para
sair de lá (saiu agarrado pelo pescoço pelo cunhado e estapeado pela mulher, que
também lhe deu alguns chutes; a cunhada apenas lhe enfiou um saco plástico na
cabeça e a falta de ar o fez desmaiar).
Tão encantado ficou com as belezas da Ilha. Sempre que
falamos de magníficos locais de turismo, ele mostrou-se indeciso na preferência
por Abrolhos ou Fernando de Noronha. Agora, com a Ilha Grande, ele entornou o
caldo de vez. De cara, é mais perto. Portanto, o pacote turístico é muito mais
barato, nem 50 'contos' a diária de casal numa pousada invocada, vi as fotos.
Tem praias a dar com o pau, o arquipélago reúne 365 ilhas, de quebra tem as
historias do presídio, que não mais existe. Explodido (implodido?) por
determinação de um governador insensível à memória das atrocidades
históricas-políticas do país.
Parece que foi lá que nasceu o embrião do Comando Vermelho,
quando as "autoridades" misturaram presumíveis terroristas com bandidos comuns,
já que roubo a banco era considerado crime contra a (in...?) Segurança Nacional,
uma comida suculenta feita pelos ilhéus, bebida gelada além da conta.
A mulher e a cunhada de meu amigo entupiram o porta-malas com
artesanatos locais, não gastaram nem 100 pilas. Meu amigo Danilo, preguiçoso que
só ele, chegou a percorrer umas 3 ou 4 trilhas, na Ilha - algo que duvido, por
mais que ele jure, mal consegue atravessar uma rua, tão gordo que é. Lá, na
Ilha, não tem rodovias, nem carros, nem ruas, apenas caminhos abertos na mata,
picadas, mas possui infra-estrutura excelente para receber visitantes, muitos
visitantes. E guias que, segundo ele, contam historias deliciosas do
lugar.
Ilha Grande... Grande ilha, Graciliano, Olga Benário Prestes
(também um belo livro-biografia, do jornalista Fernando Morais). O cunhado de
Danilo comprou apenas 4 camisetas e 2 bermudas. Gastou a maior parte do pouco
dinheiro que levou esbaldando-se com comidas caseiras de primeira, passeios
baratos por praias belíssimas em escunas mais parecidas com hotéis 5 estrelas,
bebidas geladas, comidas maravilhosas, hospedagens decentes, limpas...
É, ainda antes do final de ano, eu vou conhecê-la, passar uns
dias lá. Ilha Grande. Grande Ilha.
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