Esta pesquisa procurou refletir sobre a importância do resgate e preservação da história da VIACREDI que completou em 2001, seu cinqüentenário. Para garantir a sustentabilidade do resgate e permanente atualização da história, foi proposto neste estudo a criação de um memorial histórico. Conforme Cruz (1993), o acervo do museu não representa um amontoado de coisas velhas, de obras raras ou de curiosidades, mas um conjunto harmônico que dentro e fora do museu apresenta profunda, intensa e extensa envergadura social e cultural. Desde que surgiu, há três milhões de anos, o ser humano vem criando utensílios, instrumentos, armas, tecnologias e desenvolvendo mitos, crenças e comportamentos, gerando conhecimento e cultura. Muito do que se sabe hoje, sobre culturas pré-históricas e antigas, foi reconhecido através das edificações, dos objetos e dos vestígios deixados por esses povos.
Concomitantemente, o rápido desenvolvimento tecnológico e as conseqüentes
transformações socioeconômicas e ambientais demandam, cada vez mais, o registro
e a documentação dos processos de mudanças da realidade cotidiana e a
preservação das referências e valores culturais dos diferentes grupos sociais.
Nesse sentido, além de contribuir com a preservação do patrimônio cultural da
empresa, o memorial poderá ser compartilhado com os sócios, funcionários
comunidade em geral como mais uma alternativa de lazer e cultura.
Patrimônio Histórico Assim, em 30 de novembro de 1937 criou-se o Decreto de Lei n 25. Definiu-se patrimônio como obra de arte e dividiram em oito categorias: arte arqueológica, arte ameríndia, arte popular, arte histórica, arte erudita nacional, arte eruditas nacionais e arte aplicadas estrangeiras (IPHAN, 2003). Com o Golpe de Estado o Congresso foi dissolvido e assim reviu-se a definição que Mário de Andrade dera para o patrimônio histórico e artístico nacional. Definiu-se como o conjunto dos bens móveis e imóveis existentes no país e cuja conservação seja de interesse público, que por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico.Escolhido como o instrumento legal de proteção originado do estudo de Mário de Andrade criou-se o livro Tombo, dividido nas seguintes categorias: Livro Tombo Arqueológico, Etnográfico, e Paisagístico, Livro Tombo Histórico, Livro do Tombo das Belas Artes e Livro do Tombo das Artes Aplicadas (IPHAN, 2003). Mas, esse significado que Mario de Andrade dera a palavra patrimônio não fora à definição completa. A palavra patrimônio tem vários significados. O mais comum é conjunto de bens que uma pessoa ou entidade possuem. Transportado a um determinado território, o patrimônio passa a ser um conjunto de bens que estão dentro de seus limites de competência administrativa (BARRETO, 2000, p. 9). Segundo entrevista realizada com Petry (2002), patrimônio histórico é um componente essencial da manifestação cultural do povo. Constituído de edificações urbanas e rurais, da literatura, da música, dos usos costumes, lendas mitos e tudo mais que ficou registrado quer através de documentos (papel, pedra, mármore, imagens, túmulos, moveis, vestuários, objetos de uso pessoal, coletivo etc) como tudo que ficou como vestígios produzidos pelos nossos antepassados. Estes referenciais são documentos de identidade das populações que nos antecederam. Lemos (1987) diz, tudo que se possui pode se tornar um patrimônio, desde uma casa, um carro, ou enfim, qualquer objeto que para muitos não signifique nada, mas para alguns tem um valor, seja ele natural ou histórico, pois preservar não é só guardar coisas, um objeto, uma construção, um miolo histórico de uma grande cidade velha. O sentido de patrimônio cultural é amplo, pois inclui produtos de sentir, pensar e agir do ser humano; sítios arqueológicos e objetos neles pesquisados, esculturas, pinturas, textos escritos, etc, e inclui o meio natural que somando os dois nos permite a visão geral da expressão patrimônio cultural.
Preservação Histórica Cultural Para Carsalade (2000), a dimensão cultural, muitas vezes relegada a segundo plano ou apenas como capítulo adicional nos planos municipais tem sido cada vez mais valorizada como importante instrumento de compreensão da realidade e chave para um planejamento urbano sustentável. A cultura, na realidade, revela formas específicas de apropriação dos espaços e dinâmica da vida urbana além de ser importante pilar econômico na atualidade. Hoje, é possível se falar de um desenvolvimento culturalmente sustentável que, na dimensão urbana se manifesta através de um crescimento harmônico com o tecido e as relações urbanas pré-existentes. Para Santos (1997) a consciência da importância da preservação não invalida o progresso que pode, mas deve existir, mas sem que se abandone ou se deixe de passar às novas gerações as manifestações culturais que permanecem. Segundo Teles (1982), na esfera local, o uso racional do Patrimônio seja ele cultural ou natural, deve fluir como riqueza nacional completa e deve se comprometer com as comunidades locais. Assim sendo, independentemente do valor territorial atribuído às diferentes áreas, o desenvolvimento da atividade deve ser responsável, preocupado em promover a conservação e preservação do Patrimônio Natural e Cultural. Preocupar-se com a preservação dos bens culturais não é uma atitude romântica, mas sim moderna, já que visa romper com a dominação cultural que impõe valores não originais à população. A preservação dos bens culturais por exemplo, possibilitam o resgate da cultura autêntica que imprime a identidade de um povo e mostrar para todos que aquela região tem uma história e mostrar também que tudo precisa de um começo para chegar ao produto final. Se não fosse assim, a televisão não existiria se não tivessem inventado o fusível (IPHAN, 2003). A preservação dos bens antigos não implica na estagnação do processo de desenvolvimento e de modernização, pois não se pode impedir o novo de chegar, de melhorar a vida das pessoas. Observa-se, porém, que freqüentemente confunde-se modernidade com um amontoado de edifícios envidraçados, onde, segundo Berman (1987), tudo o que é sólido se desmancha no ar. Modernidade pode andar junto com o antigo; basta adaptar ao ambiente e dar uma nova função a ele e manter conservadas as suas condições mínimas de sobrevivência, todas elas implicadas no meio ambiente e no saber. Manter algum tipo de identidade – étnica, local ou regional – parece ser essencial para que as pessoas se sintam seguras, unidas por laços extemporâneos a seus antepassados, a um local, a uma terra, a costumes e hábitos que lhes dão segurança, que lhes informam quem são e de onde vêm, enfim, para que não se percam no turbilhão de informações, mudanças repentinas e quantidade de estímulos que o mundo atual oferece (BARRETO, 2000, p. 46). Órgãos como o
Iphan – Instituto Histórico e Artístico Natural e o Ministério da Cultura, tem
programas como Projeto Monumenta que visa estabelecer um processo de
revitalização dos sítios urbanos que dê sustentabilidade ao patrimônio e que
contribua para a elevação da qualidade de vida das comunidades envolvidas.
Envolvendo órgãos federais, estaduais, municipais e principalmente a comunidade. Segundo Guedes (2001) museu é uma instituição cultural a serviço da sociedade que adquire, classifica, conserva, comunica e expõe objetos, obras e documentos de interesse artístico, histórico, científico com a finalidade de aumentar o saber, salvaguardar e desenvolver o patrimônio, a educação e a cultura, bens representativos da natureza e do homem. Define ainda que os museus são lugares que existem para enriquecer nossos conhecimentos pois alguém ou diversas pessoas deixaram algo para nos mostrar e para marcar suas expectativas ao longo de sua existência. Por isso, existem tantos lugares no Brasil e no mundo que são concorridos por sua peculiaridade a quem já foi a Paris, por exemplo, e não foi ao museu do Louvre? Seria uma coisa estranha não? O museu surgiu quando o homem começou colecionar objetos, de origem profana ou religiosa e essas coleções de objetos até o século XVII eram particulares. Foi no final do século XVII, com a conquista da Revolução e com o desenvolvimento do nacionalismo, que se teve à idéia de que tais riquezas históricas não poderiam ser de propriedade única da elite, pertenciam doravante ao povo. Passando-se da noção de coleção à de patrimônio; foi em 1750, na França, que surgiu o primeiro museu público, no Palácio de Luxemburgo, uma exposição de pintura. Em 1793, com uma exposição permanente de obras de arte pertencido ao Bourbons, o local da exposição denominou-se Louvre, e que mais tarde seria enriquecido com valiosos objetos que Napoleão trouxera da Europa e do Egito (GUEDES, 2001). Iphan (2003) cita que no Brasil o primeiro museu foi o do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano (Pernambuco) criado em 1862. Depois em 1876 o Museu de Mineralogia e Geologia da Escola Nacional de Minas e Metalurgia (Minas Gerais). Os outros museus brasileiros foram todos fundados durante o século XX, sendo o mais importante, pela qualidade do acervo, o MASP - Museu de Arte de São Paulo, fundado em 1947. E a partir desses museus que hoje se encontram vários tipos dos mesmos museus antropológicos, arqueológicos; históricos ou naturais entre outros. Para Petry (2002), memorial pode ser considerado como um local de guarda da memória, de fatos, os quais podem estar expressos de diversas formas tais como acervos: escritos, sonoros, imagens, arquitetônico e outras manifestações que procuram manter viva a memória destes bens patrimoniais. A primeira vista, a relação dos museus de países desenvolvidos com o turismo pode nos parecer uma realidade intangível. Para alguns, o Brasil, famoso por suas praias e sua natureza exuberante, não possuiria instituições culturais capazes de atrair o interesse do turista, justificando, por exemplo, a inclusão da visita a um museu nas atividades de um pacote turístico. De fato, a situação é complexa. Nossos museus possuem acervos preciosos, mas em muitos casos subaproveitados, uma vez que grande número de instituições atua à margem dos princípios museológicos. Por outro lado, a ausência de incentivo e de divulgação mais agressiva cria um vínculo vicioso, que afasta o turista dos museus e ao mesmo tempo impede que o museu se reestruture para atingir um público mais amplo. A nosso ver, aqui reside um potencial para ser explorado (GOMES, 2001, p. 27). Cruz (1993) cita em sua obra que viver o espaço cultural museológico representa existencializar todos os dias a cultura/homem-sujeito. O que ilumina o museu é a energia do saber; quem potencializa o saber são agentes culturais na medida do seu fazer. Assim, cabe a cada um de nós começarmos a fazer o papel de agente cultural em nossa sociedade. O museu além de ser um local onde se expõem objetos que contam a história da humanidade e natureza é um local que também se encontra laboratórios de restauração, conservação e identificação dos objetos históricos e científicos. Mas o objetivo principal da instituição é educacional, onde o público adquirá informações sobre humanidade e natureza e também o local é um entretenimento para os visitantes. Em sua obra,
Valladares (1946) denomina vários tipos de serviços educacionais que o museu
oferece atendendo todas as idades; nas instalações das edificações do museu, os
serviços podem ser: O Memorial é um
“[...] espaço construído para a guarda de documentos registrados em diferentes
suportes, sobre uma determinada pessoa, lugar ou região” (SOUZA, 2000, p. 99) e
também, pode ser um “escrito que relata fatos memoriáveis” (FERREIRA,1985, p.
313). Este sistema de economia popular sem dominação, remunerando o capital justamente, promove a humanização do sistema financeiro. O cooperativismo de crédito vem provando a sua vitalidade e expansionismo, através do amadurecimento apresentado nos últimos anos e do aprimoramento do sistema em todos os sentidos. As cooperativas de crédito se apresentam com perspectivas promissoras de se tornar as corretoras do modelo de distribuição de rendas, quando conquistam pequenas frações no contexto da economia nacional. O Cooperativismo de Crédito surgiu na Alemanha através da obra grandiosa de dois humanistas profundamente preocupados com os problemas sociais: Frederico Raiffeisen, o idealizador das cooperativas de crédito rural e Hermann Shulze, o criador das cooperativas de crédito urbano. O idealizador das cooperativas de crédito mútuo surgiu no Canadá, Alphonse Desjardins, que aos poucos lhe foi agregando princípios e valores, entre os quais, gestão democrática (um homem = uma voz), poupança sistemática, transparência e honestidade, educação financeira, integração sistêmica das entidades congêneres, formação cristã, tendo chegado a uma fórmula cooperativista distinta, as cooperativas de crédito mútuo são uma síntese das demais. De modo geral, uma cooperativa é uma associação de pessoas que se organizam, constituída para prestar serviços aos associados. Reunidos em torno de um objetivo comum, obrigam-se a contribuir reciprocamente com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, sem visar lucro. A Cooperativa de Crédito Organizações Hering Ltda. CrediHering foi fundada em 26 de novembro de 1951, por 21 funcionários da Companhia Hering; liderados pelo presidente da empresa. Depois de
conhecer a cooperativa de Crédito Industrial Renner, no Rio Grande do Sul o
empresário inspirou-se na mesma, para implantar cooperativismo na companhia, com
os objetivos de oportunizar opções de poupança e ao, mesmo tempo, crédito de
forma barata e simples, facilitando a compra de uma casa. A cooperativa passou por várias transformações, investimentos em tecnologia e instalações. Uma das recentes mudanças foi o do nome que foi escolhido por votação: Cooperativa de Crédito Vale do Itajaí – VIACREDI. Hoje a cooperativa de crédito conta com 74 funcionários que trabalham na cooperativa em 13 postos de atendimento da VIACREDI nas cidades de Blumenau, Itajaí, Ibirama, Jaraguá do Sul, Rodeio, Gaspar e Indaial e conta hoje com 16.500 associados (BRICK, 2001). A VIACREDI tem
50 anos de história e vasto material em arquivos onde consta uma expressiva
documentação que pode ser usada de maneira lúdica para que as pessoas possam
conhecer sua trajetória. Há desde um simples documento comprovando sua fundação
até maquinários e outros afins. E com o material, após ordenado e classificado,
que se vai contar a história da atual VIACREDI por meio do memorial. Gradativamente, com o recebimento dos documentos, pode-se pesquisar nos arquivos da empresa e nos postos de atendimento se há algum material em arquivos não mais utilizados, para tanto. Já com o material recebido deve-se começar a utilizar meios arquivísticos separando-os por tipos e catalogando documentos impressos, livros, atas, fotos, maquinários entre outros. Catalogado o material, deverá ser feita uma seleção dos documentos de interesse histórico ou evolutivo e utilizar meios de restauração, se necessário. Já com o espaço físico disponível inicia-se a elaboração de instrumentos para que os mesmos possam ser expostos, utilizando métodos explicativos como etiquetas, placas ilustrativas, quadros, banners, etc.
Execução
Equipamentos Necessários Um ambiente bem estruturado e organizado proporcionará aos visitantes satisfação durante a visita, o que poderá reverter num marketing positivo para a empresa além de servir em alguns casos como interação com as empresas envolvidas com a VIACREDI. Metodologia de
implantação e manutenção A execução de
tais metas dependerá também da solução que for dada ao espaço das instalações
físicas, da movelaria, de materiais de embalagens etc. Precisar-se-á de espaço
para o armazenamento dos acervos permanentes, e de acesso a computadores e
impressoras. Esta metodologia manterá sempre o memorial atualizado e fará com
que os documentos não acabem se espalhando e com que se perca tudo o que foi até
então recuperado, pois já que a mais difícil das tarefas, é de resgatar toda a
documentação espalhada pela instituição, evitando assim que se perca novamente. Para a VIACREDI, o memorial será uma ferramenta adequada para expor as questões históricas e culturais para novos sócios e funcionários, para que os mesmos possam entender o resgate e preservação de materiais e documentos que possibilitem e construam a continuidade do memorial, colaborando para que ele seja uma realidade. Surpreendentemente o vasto material histórico que a empresa possui, este é um ponto positivo para o levantamento de seu patrimônio documental facilitando assim a implementação do memorial. Com o resgate
dos documentos que, depois de separados, catalogados e trabalhados, ficariam num
ambiente propício para a sua exposição proporcionando a viabilidade das pessoas
conhecerem e imaginarem como foi o seu surgimento e que possam ter uma idéia das
dificuldades encontradas em épocas onde não havia a facilidade e acesso à
tecnologia. Hoje esta facilidade faz com que documentos e informações da empresa
coletadas, possam ser inseridas de diversas formas no sistema de informações
global, como na Internet, além disso será possível arquivá-las em CDs, DVDs, etc
contribuindo para que possam ser resguardadas por um longo período de tempo.
Tudo isso, aliado a importância do querer saber, faz com que uma pessoa, uma
comunidade, uma cidade, uma empresa se sinta responsável em deixar para gerações
futuras, vestígios de sua existência e que o mundo possa usufruir de seu legado.
Além de oferecer para a comunidade local mais uma opção de lazer aliado a
cultura local.
Autores:
Marialva Tomio Dreher |