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Mudança urgente nos
cursos de turismo - Dez/04 |
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O cenário atual
do ensino em turismo não é dos melhores. São alunos que abandonam as faculdades,
cursos que fecham, professores e coordenadores desmotivados. Mas porque isso
está acontecendo? Simplesmente porque o curso de turismo oferecido pela maioria
das universidades não forma profissionais preparados para atender as demanda do
mercado. O curso é generalista e muito abrangente. Essa falta de foco leva à
formação de profissionais que sabem um pouco sobre muito, mas sabem muito pouco
sobre assuntos específicos que o mercado está realmente demandando. Como
resultado temos o descrédito no profissional e na profissão de turismólogo.
Tenho conversado muito com especialistas, coordenadores de cursos e professores
das faculdades de turismo sobre o futuro do bacharel em turismo em nosso país. A
conclusão é que uma mudança no enfoque e na s grades curriculares dos cursos é
emergencial.
Vejo o turismo como um setor macro-estratégico, de cunho socioeconômico. A
compreensão sobre a atividade é o primeiro passo para se formar um bom
profissional. Concordo também, quando alguns argumentam sobre a natureza recente
dos estudos aprofundados no setor. O "pensar turismo" ainda precisa amadurecer.
Gosto sempre de usar, como exemplo, a comparação entre o turismo e a
comunicação. O setor de comunicação também é muito abrangente. Se formos
analisar, todas as profissões e setores necessitam da comunicação. Mas com o
passar do tempo, houve uma adequação na formação profissional nesse setor.
Iniciou-se um processo de segmentação. Hoje podemos distinguir claramente os
profissionais da comunicação: jornalistas, relações públicas, publicitários,
marketing e etc.
Creio que o turismo também necessita dessa segmentação. Quando o aluno se
matricula no curso superior de turismo é sempre perg untado sobre que tipo de
profissional será ao término da graduação. A resposta é ampla: ele está
habilitado para atuar como agente de viagens, trabalhar com eventos, hotelaria,
transportes,
ecoturismo, planejamento turístico e etc. Mas será que quatro anos é o
suficiente para essa formação tão diversificada?
Pesquisei algumas grades curriculares dos cursos superiores de turismo no
exterior. No departamento de turismo de uma universidade da Austrália, por
exemplo, existem diversos cursos de bacharelado : Bacharel em Recreação e Lazer,
Bacharel em Ecoturismo, Bacharel em Logística / Transportes, Bacharel em
Hotelaria, Bacharel em Eventos e Bacharel em Planejamento Turístico. A
universidade australiana segmentou o setor de turismo e o profissional se forma
especialista em uma determinada atividade, depois de concluir determinadas
matérias básicas ou fundamentais para o curso.Isso proporciona uma profiss ão
definida ao recém-formado.Creio que o profissional deve receber uma visão
estratégica e generalista no início do curso, porém precisa optar por se
aperfeiçoar, ainda na graduação, em um determinado setor.
A mudança nas grades curriculares e no enfoque dos cursos superiores de turismo
é urgente. As faculdades precisam fazer uma leitura atualizada do mercado e usar
a criatividade para encontrar o caminho a seguir na formação profissional
oferecida a seus alunos. Caso contrario, estaremos diante de um futuro não muito
promissor tanto para os profissionais graduados como para esse grande número de
cursos superiores de turismo disponíveis em todo Brasil.
Autor:
Jaisa H. Gontijo Bolson
Mestranda em Turismo e Meio Ambiente – UNA/BH
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