Sendo um fenômeno não recente e resultante de intensas fases de transformação da estrutura econômica de um país, o êxodo rural apresenta-se como um processo desfavorável, para o campo e para a cidade, numa economia em expansão (CAMARGO, 1968). A intensa modernização agrícola tem contribuído na agravação desse mal. Com a industrialização do setor, novas tecnologias são criadas com o objetivo de minimizar o custo dos grandes empreendedores rurais com a mão-de-obra. A força de trabalho da zona rural
vem perdendo seu lugar para essa modernização, sendo substituída pelas máquinas,
que por sua vez, proporcionam a esses empreendedores a diminuição de seu custo
fixo, maximizando os lucros e aumentando a produção. Com a desvalorização de seu
trabalho, a população rural migra para as cidades em busca de oportunidades de
trabalho e melhores condições de vida. Este processo, denominado de êxodo rural,
é entendido por Camargo (1968, p.13) como: No entanto, já existem atividades que contribuem para a minimização do êxodo rural, oferecendo novas oportunidades de trabalho para a localidade, mantendo-os no campo. Uma dessas atividades e, talvez, a mais satisfatória, é a agregação do setor de prestação de serviços às atividades agropecuárias. Muitos empreendedores recorrem a essa alternativa com o objetivo de diversificar suas atividades, adquirindo uma nova fonte de renda, beneficiando também, a localidade, visto que, é necessário contar com a mão-de-obra local, já que a oferta de serviços não depende necessariamente da tecnologia das máquinas, mas sim, da qualificação pessoal (ZIMMERMANN, 1996). Dentro deste setor, destaca-se o Turismo, que segundo a OMT (Organização Mundial de Turismo, 2003), é uma das atividades econômicas que mais cresce no mundo, tendo uma participação de cerca de 10% no PIB mundial. É um número bastante significativo diante das inúmeras atividades geradoras de receita. A atividade turística é composta de diversas segmentações que levam em consideração vários aspectos como motivações da demanda, potencial de uma localidade, faixa etária, classes sociais, paisagem, espaço geográfico, etc. Entre essas segmentações, há uma que se destaca diante do problema estabelecido, pela sua natureza rural e por ter como atrativo o ambiente campestre e suas atividades tradicionais. Denominado de Turismo Rural, este, é a atividade turística realizada no meio rural, comprometida com a produção agrícola e com o desenvolvimento local, onde sua demanda é bastante específica (ZIMMERMANN, 1996). Muito se confunde com a terminologia Turismo no Espaço Rural, por isso, Campanola e Silva (p. 148, 2000) esclarecem que este é “relacionado a qualquer atividade de lazer e turismo que seja realizada em áreas rurais”, que podem ser desde a promoção de eventos como shows e congressos a outras atividades onde sua implantação dependa diretamente das áreas naturais, como ecoturismo, turismo de aventura, etc.. O Turismo Rural, para vetor de desenvolvimento agrícola, deve ser, dentre estas, a atividade abordada no combate ao êxodo rural, visto sua relevância e necessidade de preocupação com a comunidade local, para um melhor manejo e andamento da prática. O Turismo Rural é uma modalidade relativamente nova no Brasil quando comparada com outros modelos, como o turismo sol e praia e o ecoturismo (RODRIGUES, 2000). A atividade foi implantada no Brasil pioneiramente pelo Município de Lages, Santa Catarina, que começou como uma simples alternativa econômica e que hoje, segundo Zimmermann (1996), é exemplo de qualidade que se reflete na satisfação da população com a atividade, pois esta, proporcionou ao produtor rural o aumento significativo de sua renda. Os benefícios do Turismo Rural são ressaltados pelo EMBRATUR (Instituto Brasileiro de Turismo, 2004), quando o mesmo diz que a atividade agrega valores a serviços, resgatando e promovendo o patrimônio cultural e natural da comunidade. Através da implantação do Turismo Rural, se da a junção de dois ramos diferentes, mas, com fins comuns, diversificando as atividades do campo, transformando-o em atrativo turístico que compõe, também, o cotidiano da localidade, seus costumes tradicionais, o ambiente natural, as instalações rústicas, entre outras que motivam o turista a procurar o meio rural. O Turismo Rural também contribui para proporcionar bem-estar às famílias envolvidas com a atividade, fazendo com que os mesmos passem a sentir orgulho de sua origem e se conscientizem da preservação de seu patrimônio, que é enaltecido pelo turista, que procura o campo para satisfazer suas necessidades de lazer, interagindo com a comunidade local e com as atividades que são comuns aos residentes. O jeito simples e acolhedor do homem do campo também chamam a atenção do turista, ou mesmo, o desejo de resgatar sua cultura e sua origem, além de afastá-lo, por um determinado tempo, do tumulto e da poluição da cidade grande. Eslebão (2000) também aborda que o Turismo Rural tem como função utilizar a mão-de-obra e os recursos locais, além de ser uma atividade que cria estratégias de proteção ambiental do espaço rural, garantindo assim, a manutenção das famílias no campo, sem que as mesmas enfrentem a arriscada busca por trabalho nos grandes centros urbanos e, conseqüentemente, estimule a conservação das atividades agrícolas tradicionais. O Turismo Rural também tem como
vantagem a utilização da mão-de-obra já existente no local que vem da
agricultura e da pecuária, daí a importância das capacitações, visando à
qualificação desta mão-de-obra de acordo com as suas próprias necessidades e com
o manejo da atividade. Com isso, o trabalhador rural poderá exercer outra
atividade, sem que esta comprometa sua atividade principal, melhorando sua
renda. Este processo chama-se pluriatividade: Sobre a relevância da geração de
renda, Zimmermann (1996, p. 28) coloca que: Autor: João Paulo da Silva |