Assim, sendo o Turismo extremamente dependente da comunidade local e estando o turista cada vez mais interessado em buscar o novo, em trocar experiências, em encontrar o exótico ou mesmo familiar, essa atividade por mais contraditório que possa parecer precisa implantar ou conscientizar os valores formadores da comunidade receptora.
É preciso resgatar a tradição,
as raízes locais, de maneira a formatar um produto para o
Turismo comercializar e além de tudo integrar a comunidade que
irá receber os turistas dentro desta perspectiva. O consumo turístico está associado a uma experiência perceptiva, antes de qualquer outra coisa, por isso o foco elementar é a oposição entre a familiaridade e a diferença (o comum e o extraordinário). Tenta-se consumir bens inéditos capazes de gerar experiências aliadas ao prazer, diferentes daquelas que vivenciamos no dia-a-dia. Não mais é necessária a aquisição de bens materias, isso ficou em segundo plano. Embora se possa comprar souvenirs estes nunca poderão retratar de forma integral o que ficou marcado através da experiência da viagem apenas instigam sua lembrança. Da mesma forma, o conceito de patrimônio deve envolver não somente um conteúdo, mas também as relações culturais e interpessoais a que representa. O Turismo é um fenômeno que se sustenta nesses elementos representativos de cultura e sociedade, principalmente. Além do que, quando o Turismo é planejado de forma a integrar a rotina e a cultura local, as pessoas que vivem na localidade sentem-se orgulhosas de suas origens, interessam-se por sua história e pelos elementos que constituíram essa comunidade. Elas próprias buscam mais informações que possam contribuir com o resgate cultural da cidade. Há um comprometimento por parte da comunidade em fazer o melhor para que sua cidade seja admirada, em tratar o turista bem porque ele trará divisas para o município, em manter a limpeza, a sinalização, em ser cordial, em saber informar, enfim, tudo o que diz respeito à qualidade do produto turístico que foi formatado para aquela comunidade. E isso garante a qualidade do produto turístico bem como se reflete numa melhoria, também, na qualidade de vida dos residentes. Mas, assim como a comunidade precisa estar consciente de seu papel dentro da atividade turística, outros setores constituintes de toda a infra-estrutura da localidade para bem servir os turistas precisar estar integrados e se mostrarem fortes enquanto trade turístico. E a inovação quando do oferecimento de tais serviços torna-se fator de excelência atraindo mais turistas conseqüentemente. Esta é a tendência quando o fazer Turismo passa a ser uma experiência e não mais apenas uma atividade de lazer.
As pessoas atualmente têm nos
meios de comunicação a oportunidade de previamente visualizar e
buscar informações sobre os lugares que lhes interessa conhecer.
A facilidade proporcionada pelos meios de comunicação, como a internet, por exemplo, permite uma espécie de “self-service” do Turismo, onde qualquer pessoa pode acessar as destinações que gostaria de conhecer, pré-avaliar se os serviços oferecidos lhe agradam, escolher operadoras de viagem, companhias aéreas, etc. Por conta disso, alguns segmentos de mercado estão sofrendo perdas de clientes como os agentes de viagem e os guias de turismo. Dessa forma, o que está em alta agora é o Turismo da experiência, ou seja, as pessoas querem ir a lugares que lhe transmitam novas sensações, novos aromas, novas excitações. E agregar valor à experiência torna-se cada vez mais o diferencial dos serviços oferecidos. Por exemplo, as agências de turismo por estarem, mais diretamente, sendo penalizadas com o freqüente aumento do uso da internet como veículo de escolha para as destinações, apegam-se a este diferencial para manterem-se no mercado. Hoje, é muito comum a utilização de outros serviços para conquistar os clientes, como entrega de passagens em casa, forfait (viagens personalizadas), citty tours, etc. Além do que se a agência trabalhar com destinações que permitam ao turista o contato com novas experiências, principalmente se trabalharem os sentidos do olfato e a audição, certamente toda vez que este estiver relacionado com algo semelhante se reportará àqueles momentos. Estes fatores tornam-se muito importantes para o planejamento e desenvolvimento do Turismo porque se estamos a par das necessidades e dos anseios do nosso consumidor e se, queremos atraí-lo e bem servi-lo antes de tudo é necessário entender o que este está procurando. Somos “acumuladores de sensações” por natureza.
E, o olhar do turista varia de
acordo com a sociedade na qual está inserido, com o grupo social
a que pertence e com o período histórico que faz parte. Esse
“olhar”, é organizado e sistematizado; é olhar para o cenário,
para as paisagens, para as pessoas, para a gastronomia, para
tudo que não lhe parece comum. O território seria o “palco”, uma vez que precisa ser re-arranjado para receber os turistas, um exemplo seriam as restaurações que alguns municípios fazem em prédios históricos. Assim, as paisagens turísticas derivam da valorização cultural de determinados aspectos geográficos, naturais, sociais, culturais, históricos, etc. Nesse sentido e, se houver o interesse do poder público juntamente com as entidades privadas, toda paisagem pode ser transformada em turística.
De acordo com Knafou (1996)
citado por Cruz (2001), existem três possibilidades distintas
que enfocam turismo e território: os “territórios sem turismo”,
“turismo sem território” e, ainda, “territórios turísticos”. Por outro lado, a tradição como já foi anteriormente referido, é a mola propulsora que a comunidade residente possui para o desenvolver o Turismo e atrair visitantes à sua localidade. Um cuidado, porém, deve ser salientado. Por mais que o Turismo seja uma atividade mercadológica, que visa desenvolver economicamente uma localidade ou região, além de promover a inter-cambialidade cultural entre os locais e os visitantes, não se pode cair numa atividade massificada. Não podemos ultrapassar os limites deste encontro cultural. Precisa-se evitar que a massa de viajantes oprima os nativos, mantendo um nível razoavelmente proporcional entre a proporção de turistas e a população local. Através da implantação de atividades atrativas em contrapartida de atividades meramente de lazer, juntamente com cuidados específicos ao setor do marketing. Pois, quando um atrativo passa a ser muito divulgado tende a perder a autenticidade.
O Turismo vive de imagens, a
cultura, em contrapartida não pode ser apropriada pela imagem,
ela é constantemente reinterpretada por seus atores sociais por
isso também é tão complexa. No entanto, a aproximação permitida
através da troca de experiências se dá com o relativismo
cultural. Para Cohen (1985): Por muito tempo o fenômeno turístico se disseminou através da imitação, várias localidades tentavam implantar um modelo da atividade que tinha “dado certo” em um local em outros, porém, os resultados nem sempre eram favoráveis. Isso comprova que o Turismo necessita se planejado, não pode simplesmente ser transplantado. É preciso inventar o fazer Turismo a partir do local, do original, no sentido etimológico da palavra. Apropriar-se do patrimônio de uma comunidade para realizar uma atividade mercadológica como o Turismo certamente gera muita discussão. Segundo alguns, isso seria como espetacularizar a identidade de um povo, caindo então numa descaracterização que torna os nativos objetos de olhar para o turista.
Deve-se ter muito consciente que
a atividade turística nunca é unilateral, ou seja, não é apenas
o turista que absorve experiências com o nativo, este em
compensação, também está em contato com a cultura do outro. Em contrapartida, é através dele que muitos municípios conseguem divisas para resgatar e reconstituir seu passado, não permitindo então uma deterioração de seu passado. Podemos acompanhar alguns projetos desenvolvidos em museus que se preocuparam nesta busca pelas origens da comunidade e que conseguiram aliar seu trabalho juntamente com o auxílio da comunidade local, assim como na Província de Tucumán em Amaicha Del Valle na Argentina. O Museo Pachamama que está sendo reconstruído com o auxílio das comunidades indígenas é um exemplo desse produto formatado a partir do resgate histórico o qual compõe a matriz genuína da cultura local. A foto a seguir retrata um grupo de turistas em visita ao Museo da Pachamama, onde estão expostas peças arqueológicas e mitológicas da cultura calchaquí ao ar livre e também em salas onde estão maquetes que retratam as antigas tecelagens.
Através dessa construção se dá uma relação de identidade nacional muito forte que tende a escapar do fenômeno de massificação por apresentar um produto diferente e relativamente ainda de difícil acesso aos grandes grupos. A massificação atua como descaracterização cultural sentida na superficialidade do produto turístico ao olhar de um turista. O produto não condiz com a expectativa havendo uma disjunção entre essa expectativa e a realidade.
As conseqüências disso são o
enfraquecimento do turismo como atividade viável e suas
implicações intrínsecas decorrentes disso, tais como a elevação
da taxa de desemprego advinda da queda de divisas. Por outro lado, a integração da comunidade local aos serviços turísticos oferecidos, quando bem desenvolvida, tende a melhorar a satisfação do visitante. Por isso que o Turismo desenvolvido a partir de suas comunidades locais prescinde de envolvimento com a cultura mediante preparação qualitativa dos anfitriões, a devida exploração do potencial natural com a exaltação dos atrativos que cada localidade possui sendo isto importante fator que lhe imprime identidade sui generis. Pois, apresenta uma maior verossimilhança aos fatos apresentados, causando assim, sentimentos de gratificação aliados ao alcance das expectativas trazidas do momento anterior ao deslocamento, ainda durante o período de escolha da destinação, quando o turista recolhe informações para posteriomente decidir-se por esta ou aquela destinação turística. Portanto, se por qualquer razão os objetivos do visitante ficarem muito distantes do que foi previamente idealizado, a frustração causada trará conseqüências que transcendem aquelas mais imediatas, pois um dos pilares que sustentam o turismo é a propaganda realizada através de relatos dos turistas quando estes retornam ao local em que residem. Assim, o que se quer atingir com este artigo é um repensar o Turismo através destes resgates sugeridos e amparados através do comprometimento das comunidades residentes com as potencialidades turísticas da região a serem desenvolvidas. No entanto, tais potencialidades devem ser vislumbradas no todo de seu conjunto, social, econômico, cultural, histórico, gastronômico, entre outros, já que o objetivo do fenômeno turístico é oportunizar a vivência intensa dos prazeres oportunizados pela viagem.
Ao longo dos anos vimos mudar o
perfil do turista no mundo todo, sendo que agora a tendência
está na mudança da formatação dos produtos turísticos para
sítios variados e cada vez mais carregados de história. Neste sentido, constitui-se como condição sine qua nom para o crescimento do desenvolvimento turístico, além do envolvimento da comunidade com sua cultura, o acompanhamento do turista desde o momento de sua confirmação para a localidade.
Pois, através deste
monitoramento é possível que se realize mudanças de forma a
melhorar os serviços. Resultando, então, num novo re-arranjo deste sítio porque diferentes culturas estarão à disposição uma da outra de forma que há incorporação de alguns elementos modificadores para ambas.
Assim, após um certo tempo a
comunidade receptora perde um pouco de sua originalidade inicial
transformando novamente seu produto turístico. O que acabaria
por fim em destruir o Turismo do exótico. MacCannell sustenta a idéia de que grupos étnicos turistificados são freqüentemente enfraquecidos por uma história de exploração [...], limitados em recursos e poder, e eles não têm grandes prédios, máquinas, monumentos ou maravilhas naturais para desviar a atenção dos turistas para longe dos detalhes íntimos de suas vidas diárias.
Por fim, acredito que o Turismo
deve sempre buscar o melhor para a comunidade a que faz parte
por estar usufruindo seu espaço físico e de seu patrimônio
cultural, bem como de sua comunidade local que inconscientemente
são formatados juntamente com o produto para ser oferecido no
mercado global.
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